E a gente apertou o botão de reinício, revoltados com os 3,50, olhando pro céu da janela apreciando a chuva... A gente fica cansado sim, muito cansado. Mas o ritmo desse modelo continua, e nós também continuamos, imersos, sendo engolidos ao mesmo tempo que tentamos naufragar numa ilha qualquer em que tudo seja diferente do que já nos saturou. Basta por hoje! Eles fecham escolas, e nós temos que continuar. A galera pede intervenção militar, e nós temos que continuar por nós e por eles. A gente vai pra rua pagando os tais 3,50 no mesmo inconforto diário, e grita, e caminha, e se dedica. Tiramos um tempo pra dedicar à indignação com a redução da maioridade penal, e não paramos, continuamos. A gente até percebe o quanto podemos estar errados no fim sobre as nossas próprias convicções, mas concordar em sermos desumanos, isso não queremos. Queremos um gole d'água pra nos preparar pra próxima. Só que água não tem não! Tem gestão, e isso não significou água até agora.
Vão fechar a escola que eu estudei também... Isso aperta muito, é de desesperançar.
O noticiário nos trouxe a nova: Rompimento das barragens em Mariana, a lama deixa a gente literalmente onde por vezes já estamos. E em seguida, só pra nos banhar de mais doses de ironia, atenta para o fato da necessidade de mais policiamento no Morumbi, dizendo que os condomínios são praticamente obrigados a ter piscina porque os moradores não tem direito de ir e vir, não tem segurança pra ir se quer ao clube.
Não é maluquice buscar rotas alternativas, a falta de sanidade está em continuar onde já estamos. E as coisas que são boas são, se não proporcionalmente, até mais intensas que as angustiantes. Nosso jeito de encarar tudo deve ter um papel muito mais significativo do que o que achamos. O jeito de lidar faz diferença sim, e a gente ainda consegue ser feliz no mundo como está. Imagine se a história fosse outra.. Outra qualquer que fosse, só menos agressiva a nós mesmos. A gente transbordaria luz!
E continua o assédio, mas continua o respeito. E continuam as torturas socialmente construídas, mas continua o desprendimento de preconceito. E continua a vida e suas formas, evoluindo em ritmos diferentes. E se temos a violência e também a opção de paz, a justificativa é completamente válida e suficiente pra optar pela paz a medida que afirmamos "porque eu escolhi".
A evolução das questões sociais também tem tempos de adaptação distintos, será que vai dar tempo de sobreviver? E de finalmente fazer mais que isso e viver?
E se a gente começasse a negar abraços em um tempo como esse? Não, não, que os abraços continuem, que as nossas trocas continuem, que pessoas que amam momentos continuem, e que a luta continue.
Que a gente se compreenda e se perceba numa rede só.
Que a vida possa ser um dia, mais!
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