Faz tanto tempo que não te amo,
que esqueci como foi bom te amar.
Como cresci enquanto te amava
E como tudo foi maior que seu rancor,
Acredito eu, um peso passageiro
Porque você é força, é evolução
Você se lia e se aprendia, e agia
Ah como você era pura ação
O motor das próprias vontades.
Agradeço por ter te amado
E por ao refazer um caminho
Lembrar de como foi verdade
E mais: também lealdade foi.
Eu que sou besta e pouco sabia
De todas as suas demandas
E a razão delas, fui pequena
Mas fui o que podia ser pra nós.
E que bom que assim fomos.
Já não há em mim mais
Um segundo da indiferença
Fruto da raiva que alimentou
Porque por mim já não conseguia
Guardar qualquer gota de carinho.
Me faltou compreensão contigo
E a empatia de enxergar mais
Que um instante de transbordo apenas.
É de todo direito poder colocar
Como se fica machucado.
Mas hoje eu sei que você é mais
E nem se quer precisava daquilo.
Pode ter toda a confusão do mundo
Mas você tem potencial pra ser cura.
Então sou grata por tudo que fiz
E fizemos. E só desejo agora
Que cada passo dado não nos venha
A insensibilizar nossas almas
Pra que possamos seguir sempre
Aprendendo e nos aproximando
Da capacidade de ser solidário.
Vou te guardar comigo sim
E por vezes esquecer também.
Mas quando distraidamente lembrar
Que seja a melhor memória
De parceria, compartilhamento
E ainda antes disso, do amor que foi.
Tudo que aprendi com você
Além de nunca me abandonar,
É poder lembrar das coisas boas
Que recebemos de quem nos ama.
E se em qualquer coisa lhe sobrar
A sensação de alguma dívida
Como a minha consciência me trazia
Eu já me perdoei e até naquilo que
Só depois eu percebi ter sido comigo
Uma afronta injusta sua, te perdoei junto.
Mesmo que nunca mais os use com você,
Vou lhe deixar os braços abertos sempre.
A Poesia Dama Nômade
domingo, 17 de setembro de 2017
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Três estações
Ela se demorou tanto pra dizer
Diante do espelho, doa a quem doer
Que era dona si e da imagem que via
Que teu corpo era a silhueta da folia
De quem ri com inocência ao que vê
Como ela, que era ela (!), a se perceber
Poderia antes ter mesmo não visto
Como é toda linda, toda graça, toda
E foi assim caminhar de beleza assumida
Ela que então já andava toda sabida
De quando um tecido novo lhe caia
E se moldava à tua forma desenhada
Se era bela assim vestida, imagine nua
Ela pensava isso de si depois ria
Quem é que define isso de ser bonita?
E tudo que é belo existe e faz bem
Ao passo que faz mal a tudo que não é.
Então ela que era linda pra si, pra outros
Era também feia pra outros, e pra si
De onde é que vem o peso carregado
Por ser ou não bonita, isso não sabia
Mas sabia isso sim, quem é que carrega.
Ela que já se dizia em seu melhor elogio
De tão imersa na própria beleza
Cansou de ser bela toda dia, e foi toda dia ela.
E agora ela podia sentir de novo seu peso
Por que é que ao ser só ela a dizer "me vejo"
Lhe faltava ainda outro tipo de alegria?
E ela que já era sua aceitação natural
Via que alimentar o ego não é de todo mal.
Sua imagem servia, antes de ser feia ou bonita
Pra se reconhecer sempre que perdida
E se há dias em que ela mesma se elogia
Que hajam muito mais pra ela ouvir
Que ser completa na imagem de si é passo
Sobre o andar de quem se vê na imagem alheia
E ela que era bonita, já nem tinha espelho.
Diante do espelho, doa a quem doer
Que era dona si e da imagem que via
Que teu corpo era a silhueta da folia
De quem ri com inocência ao que vê
Como ela, que era ela (!), a se perceber
Poderia antes ter mesmo não visto
Como é toda linda, toda graça, toda
E foi assim caminhar de beleza assumida
Ela que então já andava toda sabida
De quando um tecido novo lhe caia
E se moldava à tua forma desenhada
Se era bela assim vestida, imagine nua
Ela pensava isso de si depois ria
Quem é que define isso de ser bonita?
E tudo que é belo existe e faz bem
Ao passo que faz mal a tudo que não é.
Então ela que era linda pra si, pra outros
Era também feia pra outros, e pra si
De onde é que vem o peso carregado
Por ser ou não bonita, isso não sabia
Mas sabia isso sim, quem é que carrega.
Ela que já se dizia em seu melhor elogio
De tão imersa na própria beleza
Cansou de ser bela toda dia, e foi toda dia ela.
E agora ela podia sentir de novo seu peso
Por que é que ao ser só ela a dizer "me vejo"
Lhe faltava ainda outro tipo de alegria?
E ela que já era sua aceitação natural
Via que alimentar o ego não é de todo mal.
Sua imagem servia, antes de ser feia ou bonita
Pra se reconhecer sempre que perdida
E se há dias em que ela mesma se elogia
Que hajam muito mais pra ela ouvir
Que ser completa na imagem de si é passo
Sobre o andar de quem se vê na imagem alheia
E ela que era bonita, já nem tinha espelho.
Assinar:
Postagens (Atom)
