sexta-feira, 9 de março de 2018

Naqueles dias

Lá vai ela toda corrida
Cheia do dia de trabalho
Os seios inchados doem
A cada encostão no ônibus.

Tá voltando pra casa,
No meio do caminho
Passa no mercado, e
Se der tempo no banco.

Ela tinha acordado cedo
Já sabendo que viria
Em breve o teu sinal.
Queria poder ficar em casa.

Começou um certo incômodo
Cólica que foi tomando força
E agora no fim do dia
Já era um monstro grunindo nela.

Foi ao caixa pagar a compra
E no mais banal dos gestos,
Um desentendimento de centavos
Entre cliente e gerência.

E ela, ali na frente de todos
Enquanto argumentava
Não podia segurar as lágrimas
Que vinham bem sabia porquê.

Esses dias eram como acumular
O estresse da rotina de sempre
Com hormônios em potencial
Pra construir uma nova bomba.

terça-feira, 6 de março de 2018

Recado ao seu cortisol

Se achou agonia com ou sem motivo
Joga o estresse em se livrar disso fora,
Que a ânsia de não se sentir mal
Não faz muito além de acumular
Mais força pra apertar a garganta
E lembra que nada é sem razão
Até os dias em que falta leveza.
A preocupação devia servir apenas
Pra nos lembrar de tê-la um pouco menos.
Quando a paz for perturbada
Deixa então vir o terremoto
E faz dele o terreno em que samba,
Que a cada abalo a tranquilidade volta
Pra uma música mais serena que antes.
E se não tiver fazendo sentido pra si
Não carece tanto tentar se desvendar
Sente devagar como, à flor da pele,
É o caminho de volta até teu profundo
Que assim, mais que lida com emoções:
Experimenta a dose que quiser
De cada uma delas.



domingo, 4 de março de 2018

Confesso

Quando eu deito em você
É pra confessar que confio
Na cura do seu carinho

Seu abraço, sempre que quero
É pra confessar com desejo
Como é bom te sentir perto

Se fecho os olhos e te beijo
Vou confessando em segredo
A verdade de que te amo.