Chega um momento em que você começa a ler poesia, e interpreta significados em cada verso. Um dia, chega em você a certeza para a escolha mais importante de sua vida. Em qualquer dia você percebe que o tempo passou rápido, e que o futuro não está tão distante, mas quando você olha para trás, vê que muito aconteceu e que demorou muito tempo. A qualquer hora você descobre que tem muito menos amigos do que o que acreditava ter. Em um minuto indeterminado, percebe que por bastante tempo desperdiçou sua consideração, mas que foi importante desperdiçar para saber ser econômico. E um instante, que chega mais cedo ou mais tarde é, enfim, seu momento de amar e ser amado. E isso proporciona a você grandes descobertas para um mistério complexo: Você mesmo. E chega também o momento em que você entende a importância da informação. E logo mais, se você cria uma visão crítica, se sente às vezes, como um observador da sociedade, mas você é só mais um personagem. E a esta altura, todos já temos nosso refúgio, nosso ambiente interno e pessoal, que é o que nos mantém em nossas posições esperançosas. Afinal, a realidade é difícil de aceitar, quando é bem entendida. E você percebe como é delicado o processo de formação e educação. E descobre como seus pais o influenciaram. E chega um período em que você questiona tudo. E conscientemente, ou inconscientemente, você entra em conflito consigo mesmo. E toma decisões de renovação de seus próprios costumes, ou apenas permanece com eles. E, ou você cria uma auto-defesa para as coisas que virão, ou não terá defesa nenhuma. E chega uma época em que você percebe que quem diz o que é certo ou errado, é você mesmo. E você assumi preferências, e um estilo. E entende que para certas coisas que você atribui um grande valor, pode não existir valor algum para seu vizinho, e você ainda tem que respeitar o território dele. E vê que no seu caminho aparecem muitos motivos para que você desista de tudo, mas que tudo vai depender de você desistir ou não, insistir ou não, e resistir ou não. E, enfim, chega um momento que você passa a acreditar em uma personalidade que você acha que tem. Só que você descobre que talvez, por exemplo, um medo que você julgava ser impossível de perder, foi perdido, tirado de você em um momento em que você precisou agir. É isso ou nada disso. E acontece que você percebe a dinâmica da vida. E às vezes você descobre um novo ego. E entende que absolutamente tudo nessa vida é importante para que você possa classificar as coisas como importantes ou não. E mais adiante encontra outros classificadores, e vê que aquilo que não era importante para você, é importante para outro ser. E compreende que é importante deixar de pensar como indivíduo e passar a se entender em conjunto. E chega um momento em que você atribui um propósito a suas ações, e traça planos. E sente que mesmo não sabendo cantar, encontra em si mesmo um compositor, uma voz, e em seu coração, um ritmo. E formula suas opiniões sobre a vida, como uma canção que é tocada, sem medo da censura. E percebe que há coisas que só você pode fazer. E compreende o conceito da existência, e o quanto ela vale. E que mesmo as coisas que só você pode fazer, não seriam possíveis se você não tivesse alguém. É que a solidão é a pior das torturas para um ser humano. Só que nem todos arriscam aceitar a solidão como a pior das torturas, porque de fato, ás vezes ela é o melhor remédio. E chega um hora em que você pára para refletir. E na sua reflexão, você constroi muito, sem sair de lugar algum, e nem sempre você chega a algum lugar. E percebe que duvidar é o que nos mantém em constante atividade.
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