quarta-feira, 16 de maio de 2012

Uma parte de mim IV (que não é só 'de mim')

Ela pensava que isso não poderia ser discutido, ou entendido por mais ninguém. Mas ela nunca disse isso, só pensou. Até que encontrou alguém que dizia:

- Falta algo pra completar tudo isso, mas não sei oque é, só sinto falta.
- Nossa! - disse ela - Tem um vazio aí em você.
- Pois é, dureza! 
- Bom, espero que você encontre o elemento que seja capaz de preencher esse vazio.
- É, também espero.
- Acredite,não estou tentando buscar semelhanças entre nós, mas sempre caio na questão " É melhor ter o vazio como parte de você do que se forçar a ser 'preenchido' com algo que não é certo?". (Oque ela pensou mas não disse: "É possível não ter um espaço vazio dentro de si?")
- Entendi. Só que eu não fico pensando dessa forma. Mas, com você falando assim, acabo por pensar que todas as pessoas são assim, só visualizam isso de forma diferente.
- E pelas mais diversas formas de visualização, acredito que no fim, o que de fato nos motiva a sempre continuar, é acreditar que vamos encontrar algo capaz de preencher corretamente esse nosso vazio interno.
- Assim esperamos.
                                                               ...

O que ela pensava, mas foi ele que disse:
- Por causa do vazio as pessoas buscam algo para preenchê-las, mas quando se preenche, se limita. Logo o vazio é uma vontade de algo que vai muito mais além do que queremos ou imaginamos.
- Se eu estou entendo bem, você quer dizer que nossa ambição não tem fim. Que ambicionamos, conquistamos, e logo depois passamos a desejar qualquer outra coisa que ainda não temos.
- Sim, exatamente isso!

                                                            ...

O que ela pensou:

"E o vazio? Ele de fato existe em nós, ou nós é que não conseguimos nos entender completamente? E se existe, não seria ele vivo em nós até o momento em que descobríssemos o que queremos de verdade, e então parássemos de procurar sempre algo mais? 
É possível a existência de algo capaz de satisfazer o ser humano imensamente, a ponto de ele não precisar querer nada além daquilo? E se alguém não encontrar um bem tão grande assim, por toda a vida? E se não existir nada depois da vida? E se existir outra vida, levaríamos o vazio como uma deficiência de algo que não concluímos no mundo, ou teríamos a chance de 'concluir'?
E se nada mais fizesse sentido quando percebêssemos que não temos ideia de quão perto ou longe estamos de encontrar algo capaz de nos preencher verdadeiramente? E esse 'algo'...  O que poderia ser um bem capaz disso tudo?"

O que ele pensou, enfim:

"Sei lá..."