Um paciente quer saber quanto tempo deve esperar pra marcar
o próximo encontro com alguém. O tempo mais “ideal” pra que as impressões do
último momento fossem embora ou ficassem guardadas em algum lugar da memória
suficientemente fundo, de uma profundidade que impedisse qualquer resquício da
ideia de continuar a interação de onde haviam parado, pra que qualquer possível
início não viesse à tona.
Início de quê mesmo?
O Ministério da Saúde adverte: é altamente perigoso ao
sistema nervoso e ao músculo cardíaco impedir o fluxo natural das trocas
entre pessoas.
Os sintomas? Repressão da vontade de estar com alguém,
anulação de si, desistência.
Em caso de sintomas, consulte a si mesmo.
Formas de precaução:
Evite evitar em excesso; não carregue o peso da culpa de não ter o mesmo
interesse pelo outro; mantenha-se longe de exposição a papeis sociais que não
são seus; tome duas doses diárias de auto reconhecimento (possíveis efeitos
colaterais: sensação de descoberta de seus próprios sentimentos); jamais reflita
traumas de experiências passadas sobre pessoas de contextos diferentes às
essas; certifique-se de que não está reduzindo sua própria capacidade de sentir
por outras pessoas bons sentimentos.
AVISO: qualquer sensação de segurança de si e de melhor
administração de seus sentimentos, bem como o estabelecimento de critérios de
seleção sobre aquilo que é aparentemente bem-vindo e aquilo que não é, são
esperados.
Recomendações: Existem tratamentos mais específicos para o
afastamento deliberado pelo paciente de quaisquer pessoas, inclusive das que
são um bem ao mesmo. Os últimos estudos apontam que o paciente, ao manter essa
distância entre si mesmo e os outros, tem uma percepção que lhe permite sentir
segurança, autocontrole, e imunidade a envolvimentos mais intensos. A sensação
de estar vulnerável às influências de humor provenientes de outras pessoas pode
ser extremamente desesperadora ao paciente. Em casos mais extremos, já foram
registrados depoimentos em que o paciente chegou a descrever a possibilidade de
envolvimento com alguém como sendo algo que esse alguém esperava, já pré-supunha,
e foram precisos meses de tratamento, até que o paciente compreendesse que as
necessidades do outro se resumiam ao momento em que estiveram juntos e só. Em
tais casos é recomendado que as outras pessoas deixem claro ao paciente,
através da prática de uma técnica conhecida como “fala”, quais são suas
intenções. Um fenômeno muito recorrente é a ideia de que o avanço e/ou
investimento de tempo em qualquer relação vá acabar tornando-a um contrato
social não desejado. Existem algumas medidas que podem ser aplicadas nesses
casos, como ingerir doses de leveza e tranqüilidade. O uso sincero de
expressões como “Relaxa aí meu bem”, ou “Menos querido, menos” já foi
constatado como método de eficiência no tratamento.
ATENÇÃO: nos estágios finais da recuperação do paciente,
quando esse já apresenta menos stress, mais calma, e um domínio maior da
capacidade de aproveitar bons momentos com mais simplicidade, atentar para o
uso da camisinha.