Você tem uma expressão habitual pros momentos que vai ouvir alguém falar. Tem um desenho que assume no rosto um segundo antes de começar a falar também, que me faz achar graça. E quando você faz cara de dúvida, ou se exalta... Perde o controle e começa a gaguejar muito até conseguir falar uma palavra inteira, e iniciar a construção de uma ideia. Eu acompanho sua ideia, mas não deixo de me divertir. Também tem uma expressão que você faz quando não pode evitar não reparar em como estou bonita, seu rosto diz que está me achando linda. E alguns segundos antes de eu te beijar, no intervalo de tempo entre suspeitar e ter certeza de que vou mesmo te beijar, você faz a melhor de todas as expressões, a mais bonita. Faz parecer que as retinas tentam esconder um segredo que já não podem mais guardar. E a sua resposta quando interpreta no meu rosto uma expressão de encanto, ao contrário do que a princípio pareceria ser um rosto que transmite satisfação em parecer ser desejado e que viria então a se realizar e gozar da beleza que é saber que é querido, me mostra a face que é por alguns segundos a tradução do altruísmo em feições. Nem você deve saber que já é capaz de ser mais que uma mera e incansável busca por conforto e pela sensação de preenchimento, que pode enlouquecer pessoas e desesperá-las, levando-as a fazer coisas quase insanas. E essas coisas nem são sempre tão absurdas, são detalhes singelos também, que corroem. Mas você tem um rosto além disso. O rosto é a primeira coisa que olhamos. E pra saber se continuaremos olhar, o rosto tem que se atrever. Se virar pra se encontrar. Foi assim, nos encontros dessas faces que eu vi... Você tem uma expressão quando observa, especialmente quando observa distâncias, quando volta a atenção pra um ponto longe, uma expressão que revela que tudo que precisamos está na verdade muito perto. Você vê alheio ao teu corpo, envolto nas figuras do mundo, que seu caminho já está no seu olhar pra dentro de você.
