sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Morto Vivo


Há desprazer em encarar seus relatos raros
Condizentes com sua narrativa desanimada
Que amarga na própria postura indiferente
Diante do que nem você mesmo aprecia.
E quem lhe tem à convivência logo aprende
Também disfarçar o desdém que você gera.

Se fala, é um desperdiçar de palavras soltas
Da língua com que você evita esforçar lábia,
E mesmo intentar conversa já lhe é fadiga
Recluso ao seu animal misantropo interior,
Incapaz de buscar praticar sequer uma prosa
Único resquício civilizatório que lhe sobraria.

Com que frieza se relaciona, por mera convenção
E nunca é mais que manter uma imagem qualquer
A fazer de conta que ainda pode levar uma vida tal
Tão normal quanto qualquer rotina de quem vive,
Como se verdadeiramente lembrasse o que é sentir
E pudesse ignorar sua natureza bestial consciente.

Finge passar por ocasiões de emoção, ter moral,
Acumula histórias já que não há outra escapatória,
Mas nem o semblante você consegue transformar
O desinteresse lhe é natural e estampado na cara.
Quando resolver não mais perambular, finalmente
Pondo-se à terra, dirão:"Esse que morreu, era morto".




quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Desate um nó

Já sente assim, moça
Assim como se cá dentro
Ao interior da consciência
De um lugar que não se repete
E cada um tem o seu

Se aí na tua foz dos pensamentos
Já não encontra brilho onde queria
E se já agiu conforme o que podia
No teu esforço único a dar brilho,
Então não fique.

Se já está feliz e nada te soma
Quando se vê muito menor
Em algo que podia ser grande
E que se o fosse, te alegraria
Então não fique.

E mais, se chegar a concluir
Que andas bebericando
Em um copo, tanto faz se
Meio cheio ou meio vazio
Enquanto bem sabe do que quer beber,
Então não engula.