sexta-feira, 23 de agosto de 2019

VIVER UM PARTO HUMANIZADO: O QUE EU GANHEI COM ESSA ESCOLHA

Em dezembro do ano passado fiz um teste de gravidez e deu positivo. Isso nunca foi um plano, sonho ou desejo, e tive que lidar com todas as questões que a novidade me trazia. Quando me apropriei disso, de que estava realmente grávida, que uma série de mudanças aconteceriam em meu corpo, minha mente e alma, decidi que ia tornar a experiência mais próxima daquilo que acredito e sempre defendi para outras mulheres: que o parto pudesse ser seguro, sem violência obstétrica, natural, com liberdade de escolhas e com métodos naturais que auxiliam a passar por tudo que é parir (e parir é muita coisa misturada rs), ou seja, um parto humanizado em um lugar confortável. Queria fugir de algumas coisas e por isso busquei uma Casa de Parto. Acho importante dizer aqui que parir no hospital, contar com ajuda farmacológica quando necessário ou mesmo com uma cesariana não é de forma alguma um problema, essas alternativas são resultado dos estudos medicinais que construimos com o tempo, e devem ser usadas quando necessárias em prol da vida. Ainda bem que existem. O problema, isso sim, é isso se tornar um modo de intervir em uma atividade natural do corpo da mulher gestante, que iria viver aquilo de forma única, mesmo para mais de um filho, cada parto é uma vivência do corpo, importante para ambas as vidas envolvidas. E intervir nisso sem que seja uma opção da mulher sempre me pareceu um roubo da experiência sem consentimento de ninguém, interesse em pagamento pelo procedimento ou aceleração do que tem o seu tempo de acontecer para dar conta de atender um número grande de pessoas em hospitais lotados. Isso eu queria evitar. No Centro de Parto Humanizado Casa Angela, da ONG Monte Azul, pude fazer o pré natal junto com o que fazia pelo SUS, e receber MUITA informação construtiva para me preparar pra parir. Por isso quando chegou a hora eu me sentia pronta.

COMO FOI MEU PARTO
Eu pari acompanhada do pai e de uma doula sensacional, além das parteiras da Casa. Foi uma doula que trabalha com "pague quanto puder", que é uma forma de tornar viável esse serviço para todas e todos. O suporte dela durante todo o trabalho de parto foi incrível! Cuidou muito de mim e fiquei totalmente amparada.

Em fase latente tive contrações leves e passei em consulta um dia antes da manhã em que nasceu my baby. Estava com 3-4 cm de dilatação do colo do útero. Completaria 41 semanas no dia seguinte, que também foi "O Dia" rs. Eu havia feito e usado métodos naturais de estímulo ao corpo para me aproximar do parto. Isso foi muito importante para viver o período final da gestação, me despedir da barriga e inclusive me concentrar e me fechar um pouco em relação aos contatos que ficavam me atormentando e perguntando mil vezes se já ia nascer (a gravidez é só mais uma de todas as coisas em que as pessoas se sentem no direito de opinar e falar mesmo sem serem consultadas rs).
Os métodos que usei foram:
▪ escaldapés (mais pra relaxamento e descanso, pra guardar energia);
▪ chá com uma receita bem estimulante para o útero (tomei por dois dias duas vezes ao dia);
▪ acupuntura na Casa de Parto, que trabalhou pontos específicos pra ajudar na indução (esse método em especial não foi muito interessante pra mim, mas porque descobri que não curto a própria acupuntura em particular);
▪ massagem nos pés (melhor coisa! Rs);
▪ descolamento de membrana (fiz no dia anterior a parir e senti que foi MUITO eficiente rs, foi quando viram minha dilatação - é como um exame de toque em que a parteira solta a parte em que a bolsa fica coladinha no colo com os dedos,  em mim não foi muito desconfortável).

Todos os métodos fiz porque escolhi fazer. Se não quisesse também, seria respeitada. E então, horas depois do descolamento eu estava com várias contrações aleatórias. Não tinham padrão de frequência de 5 em 5 ou 3 em 3 minutos, indicativo de fase ativa. Estava em casa tentando descansar durante a tarde. Segui a recomendação de tomar banho quente bem demorado e deixar a água me ajudar. E suspeitei que a bolsa tinha rompido no banho, mas foi pouco líquido, então não tinha certeza.
Assim, voltei para a Casa de Parto à noite. Estava então com 6 cm de dilatação e as contrações eram mais intensas, mas bastante suportáveis. Eram como cólicas menstruais fortes que duravam um minuto mais ou menos. A avaliação dizia que minha bolsa rompeu no alto da barriga, e ainda tinha bastante líquido nela protegendo my baby. E eu fiquei fazendo exercícios que ajudavam o posicionamento do baby pra hora da saída com a doula.

De madrugada começou a fase ativa. Estava com sono mas não adiantava muito tentar dormir. As contrações me acordavam. Fiquei bastante tempo no chuveiro e na bola suíça ao mesmo tempo, e foi muito bom. Fui ao banheiro, fiz xixi, cocô, vomitei, ou seja, pondo tudo pra fora. Quando me senti enjoada estava no quarto e não contava com a possibilidade de vomitar rsrs. Mas rolou, e tinha ajuda da doula e das funcionárias o tempo todo. Isso foi realmente ótimo e um diferencial significativo pra mim. Também colocamos uma música que gosto pra tocar. As parteiras iam acompanhando minha evolução. E eu estava amparada, acolhida, confiante em todas aquelas profissionais e sabia de como me tratariam porque isso foi esclarecido ao longo da gestação. Poder se sentir assim é muito bom em um momento como esse.

Quando as dores chegaram no nível hard pra mim eu desacreditei que ia aguentar o parto, que ia passar por aquilo, uma reação natural pra quem está com bastante dor, e parte de mim sabia disso, que era pela dor e não pela razão. Mas eu dizia que não conseguiria rs. Até que bem cedo de manhã uma parteira terminou de estourar minha bolsa. As mais fortes contrações começaram aí. E um detalhe importante é que esperavam meu tempo pra fazer qualquer avaliação e exame. Só mexiam em mim quando eu dizia "ok". Então, fui para o chuveiro de novo, onde entrei na fase expulsiva. Veio pela primeira vez a vontade de fazer força. Minha voz mudou, meu pensamento mudou, e finalmente sabia que tinha chegado a hora. Mas sentia dor sem achar que ia conseguir, porque "se as contrações eram difíceis imagine a saída" era o que eu supunha. Dizia isso pra minha doula na fase ativa e ela respondia que não era o pior, que eu veria quando chegasse. E não foi mesmo! A cereja do bolo pra mim foi sentir que por alguns milímetros não era ruim. Eu me surpreendi ali, parindo e tendo essa conclusão rs.

Quando rolou um intervalinho, voltei ao quarto porque uma parteira me propos isso no chuveiro, para meu conforto. Isso foi segundos depois de ela dizer para eu me tocar e sentir my baby. E EU SENTI! EU SENTI COM A PONTA DO MEU DEDO O "DURINHO" DE UMA CABEÇA ALI DENTRO DE MIM MUITO PERTO, JÁ MUITO BAIXA. Levantei o rosto pra olhar o pai do baby e dizer " Tá aqui, tá aqui, eu senti! É dura! Tá aqui!". Esse foi o primeiro nascimento, o de uma mulher que acredita, rsrs. Finalmente tudo aquilo ia se concluir, mas principalmente, realmente ia sair! Porque até ali sentia as dores e só, por mais que tivesse aguentado tanto, já estava cansada, com sono, de estômago vazio, enfim, aguentei mas não aguentava mais rs. A partir daquele momento não era só isso, era algo que ia mesmo ter um desfecho.

 E chegando no quarto, foi rápido pra nascer. Meu impulso foi o de ficar de cócoras apoiada na cama. Só o segui e pronto, não decidi, o corpo fez. E quando vinha a contração e a vontade de fazer força, não era dor, era eu mesma fazendo aquilo, assumindo o comando. O grande lance pra mim foi que o colo do útero precisa dilatar, e isso é muito interno e o corpo faz, pronto. Agora na vagina não é só isso, fui eu ativamente vivendo aquilo e fazendo aquilo acontecer também. O colo vai dilatar pela ação de hormônios que preparam tudo para a hora principal, mas a hora principal são hormônios e autonomia, consciência corporal, coragem e força. A ocitocina sinalizava com a contração, eu esperava seu alerta e fazia a força que tinha que fazer, com minha natureza, com o que há de puro e selvagem. Estava de mãos dadas com meu companheiro, concentrada na força que nem sabia que tinha, quando consegui ver a cabeça e os olhinhos por um espelho que a parteira atrás de mim usava. Ainda disse para o pai que não era tão ruim por incrível que parecesse. Depois disse "tem cabelo!" Rs. E "tudo isso já?!!" quando vi pelo reflexo. Foi depois de ver e sentir o baby subindo de volta, e entender que estava coroando, que fiquei em paz por saber que era aquilo mesmo que era esperado, sabia que estava tudo bem. Desde muito antes disso monitoravam o coraçãozinho pra acompanhar o baby também. Então, eu fiquei tranquila, fechei os olhos, mantive a posição firme, respirei direito, e DECIDI (sim!) que na próxima contração ia nascer. A vagina dá uma leve ardida quando a cabeça está saindo. Então, veio a contração e eu fiz a força, senti que estava indo. Mas a contração passou rápido, e eu quis continuar minha força, isso foi muito específico e particular, sabia que não ia me machucar, que a vagina é um músculo poderoso, e empurrei com tudo de mim que restava pra terminar aquela tarefa. Foi assim que saiu o ombro, senti a diferença da forma, e o corpinho já estava descendo e sendo pego pelas parteiras, que me entregaram o baby já passando por entre minhas pernas, peguei na altura da barriga e trouxe pra perto do peito.


Eu não lembro de sentir a injeção de ocitocina na coxa, que previne hemorragia e ajuda o útero a contrair, porque estava "anestesiada" com o baby, e virei devagar de costas para a cama pra que pudesse deitar. Elas me diziam pra fazer isso, se não ia só ficar só focada no baby. Segundos antes era difícil ficar em pé, e naquele momento era só a bomba bioquímica me mantendo rs, até esqueci que estava em pé. Perguntei da placenta rs. Ficamos em conexão pelo cordão umbilical, enquanto estava nos primeiros segundos em que respirava, ainda recebendo oxigênio e nutrientes pelo sangue. Alguns estudos mostraram que isso faz bem à saúde do baby. Mas me deitei. Tinha frio, mas tremia mesmo era por ter parido. Nas pernas, não conseguia controlar a tremedeira rs. E ficamos em contato pele a pele todo tempo, baby e mãe juntinhos. Não precisei tomar ponto. Baby tomou sua injeção de vitamina K mamando, nem esboçou reação (amamentando amenizamos ou evitamos totalmente a dor). E depois disso, o pai cortou o cordão, fui tomar banho, baby foi vestido, nos encaminharam para um quarto, comemos (muito bem!), dormimos, enfim descansei. E tinha um bebezinho comigo, fora de mim, usando roupinhas, fralda, deitado querendo mamar, e dormindo seu soninho depois de termos vivido o parto.

O parto humanizado me trouxe:

♡ Segurança e suporte durante todo o parto;
♡ Conforto e alívio da dor conforme eu quisesse, principalmente ficando no chuveiro e na bola suíça;
♡ Tranquilidade e confiança sobre como ia ser tratada;
♡ Uma doula maravilhosa que até com meias pra aquecer meus pés estava;
♡ Mudança de posições durante a fase ativa conforme minha vontade, para que eu ficasse como me parecia melhor;
♡ A possibilidade de ser a primeira pessoa a tocar meu bebê, quando senti a cabeça, e de acreditar que eu iria fazer aquilo bem;
♡ O respeito ao tempo seguro de nascimento do baby, por isso terminaram de estourar minha bolsa;
♡ O recebimento da nova vida com respeito;
♡ Autonomia sobre o que estava acontecendo e liberdade pra viver aquilo como um momento inteiramente meu;
♡ Todo amparo e assistência de cuidados imediatos comigo e com my baby, pela nossa saúde, e também de cuidados pós parto;
♡ O contato pele a pele de mãe e baby, já dando sinal pra ativar a resistência desse baby para o mundão fora da bolsa;
♡ O nascimento da placenta bem tranquilo, sentada/deitada com my baby no colo;
♡ A chance de ficar feliz com tudo aquilo;
♡ A noção de sentir meu corpo em plena consciência de sua capacidade de parir;
♡ E a certeza de que meu parto foi muito menos pior do que o que eu esperava, do que havia imaginado. Não foi demorado, foi tranquilo, e mesmo se demorado e mais complicado, estaria bem apoiada e amparada da mesma forma.


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Que mais mulheres possam viver partos normais seguros, saudáveis, com todo suporte e toda liberdade para viver seus momentos, em quaisquer que sejam os lugares onde vão parir.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Enzima Cítrica Biodigestora de Gorduras

Os resíduos gerados a partir do consumo doméstico ou industrial das frutas cítricas, como laranja, limão, mexerica, e etc., podem ser aproveitados como uma forma de produtos naturais de limpeza. Mais adiante podemos falar sobre o ponto de vista industrial. Mas sobre o que podemos fazer em nossas casas, em nosso sistema de gestão dos resíduos domésticos, a enzima cítrica biodigestora de gorduras é uma possibilidade de aproveitamento máximo de todo o material de bagaços e cascas das frutas cítricas.

OS RESÍDUOS DOMÉSTICOS

De modo geral, costumamos acumular nosso lixo, coletando-o em diferentes cômodos da casa em sacolas plásticas e retirando-o para que o caminhão de lixo leve todo aquele material aos aterros sanitários. Esses, por sua vez, são grandes áreas em que se constroem verdadeiros depósitos de lixo no solo, com desmatamento de matas transformadas em cavas gigantes para conter os resíduos de cidades inteiras, e precisam de muito esforço técnico, ambiental e de engenharia a fim de prevenir contaminação do solo e das águas subterrâneas, afinal, essas áreas serão abastecidas pelos mais diversos tipos de material, com naturezas químicas diferentes a partir de tudo aquilo que jogamos fora.
Fazer a gestão dos resíduos orgânicos em casa por meio do uso de composteiras domésticas é uma forma de reduzir o volume de resíduos enviados aos aterros, e ainda de obter um composto que é um adubo orgânico, o húmus, que pode ser totalmente aproveitado em jardins e hortas. Quanto ao lixo reciclável, nos bairros em que existe coleta seletiva (que são minoria) essa é uma opção, ou ainda a procura por cooperativas de catadores que recolhem e trabalham com esse material, destinando-o à reciclagem. Da mesma forma devemos procurar destinações adequadas do lixo eletrônico, farmacêutico, e etc. Mas em especial, dentro dos resíduos orgânicos o lixo gerado pós consumo das frutas cítricas pode ser aproveitado para fazer a enzima cítrica biodigestora de gorduras. As cascas de laranja e limão, por exemplo, não são muito recomendadas para adição ao processo de compostagem em excesso, já que seu teor ácido pode comprometer as atividades de minhocas ou mesmo dos microrganismos, a depender da proporção de material a ser compostado.

COMO FAZER A ENZIMA CÍTRICA BIODIGESTORA DE GORDURAS?

Assim, uma receita simples para reaproveitar os restos dos cítricos em casa é:
  • 1 parte de bagaços e cascas das frutas cítricas (já vi indicação de usar até 3 partes para preparos com 5L ou mais da receita, também funciona);
  • 1/2 parte de açúcar mascavo;
  • 10 partes de água;
  • Gotas de óleo essencial de citronela, para quem quiser. 
Misturando esses itens e armazenando-os em um pote de vidro ou garrafa plástica de boa vedação em local fresco, após 3 meses você obtém a enzima. Picotar as cascas e bagaços pode ajudar a velocidade das reações e da produção da enzima. Os microrganismos já presentes vão provocar a fermentação (processo anaeróbio) do material, e então ocorrerá a liberação de gás. Por isso, é importante deixar um espaço vazio dentro do recipiente para conter esse gás e abrí-lo a cada dois dias por alguns minutos para esvaziamento. 
Ao final dos 3 meses, você pode coar e usar a enzima pura em superfícies muito gordurosas ou diluída em água. Quem quer fazer a adição de óleo essencial para cheirinho pode colocar algumas gotas no líquido já pronto. 

USOS E VANTAGENS DA ENZIMA CÍTRICA BIODIGESTORA DE GORDURAS

A enzima cítrica biodigestora de gorduras funciona muito bem para limpar banheiros, pias, ou mesmo para lavar e limpar as gorduras das roupas, substituindo vários constituintes químicos que compõem os produtos de limpezas fabricados sinteticamente. Assim, você tem uma forma de garantir a limpeza em casa lançando menos produtos químicos pelos ralos, para as estações de tratamento de esgoto e para os corpos d'água no fim. Essa é uma forma de aproveitar o lixo para criar uma alternativa sustentável de limpeza, que é natural e econômica. 
Os mercados e lojas nos habituaram à necessidade de comprar diferentes produtos para limpar diferentes cômodos e objetos em casa, criando assim a noção de que só está limpo quando usamos um certo produto e sentimos tal cheiro. Nosso olfato se acostumou com esses sintéticos, e muitas vezes o investimento das indústrias desses produtos pretende garantir mais perfume do que qualidade da ação desengordurante, usando substâncias perigosas e danosas ao meio ambiente e a nossa saúde. Por isso a enzima cítrica biodigestora de gorduras é importante para quem quiser experimentar um modo de fabricar seu próprio produto natural. Havendo tempo e disposição para isso, fica o convite para experimentar e adotar essa alternativa.

☆ Não tive isso, mas se houver qualquer problema de mal cheiro é um indicativo de proporção não adequada na mistura - tal como em compostagem quando precisamos adicionar material seco -, que pode ser corrigida com adição de açúcar ou com a saída de gás, para que as bactérias fiquem saudáveis. 

A ENZIMA CÍTRICA BIODIGESTORA DE GORDURAS NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Fazer a enzima pode extrapolar as paredes do nosso lar e atingir projetos em escolas e outras instituições. Você pode aproveitar a elaboração de oficinas para fazer a enzima cítrica biodigestora de gorduras e falar sobre temas como:
  • O processo de fermentação e a atividade bacteriana em meio anaeróbio;
  • A importância da vitamina C na alimentação;
  • Hábitos alimentares e valorização das frutas (e alimentos orgânicos);
  • Aproveitamento dos resíduos orgânicos domésticos;
  • Mudanças de hábitos para formas mais sustentáveis de fazer limpeza. 
☆ Dica: colocar uma bexiga na tampa do recipiente usado para armazenar a mistura da enzima é um modo pedagógico de mostrar a liberação do gás. 

E NA INDÚSTRIA?

Na indústria, após a extração do suco da laranja, por exemplo, ainda existem questões de logísticas colocadas como dificuldade e impedimento para o aproveitamento do bagaço, que precisa ser prensado e seco para transporte. Existe uma linha de investimento que aproveita esses resíduos cítricos como alimento complementar dos animais na pecuária, mas ainda é dado o desafio de gestão desses resíduos por apresentarem bastante umidade.
O incentivo ao aproveitamento dos bagaços e cascas pode reformular a concepção que temos sobre a forma de encarar esses resíduos, e sobre o tipo de processo industrial que queremos apoiar, provocando mudanças estruturais nas empresas e/ou mesmo nas leis.


sexta-feira, 5 de julho de 2019

O que acontece com as cinzas dos corações mais ardentes de amor?

Queria por pelo menos um dia poder sentir o que é um amor pra vida toda. Queria que alguma vez ardesse, gritasse, inflamasse num fogarel, nas chamas que deram sentido às ações de todos os maiores e mais loucos amantes da história. Queria saber porque ficam tão felizes, tão entregues, porque não desistem, porque doi tanto quando se acabam. Queria saber como é sentir um universo desse amor. Queria saber como e quando é tão inexplicável, saber quando é tanto e tanto e tanto que parece perigoso. Queria entender quando vejo que parece corrosivo, mas ainda querem se corroer, e se jogar, e se lambuzar de algo que visto de fora é loucura, mas que ainda não é veneno, não é abusivo, é só incompreensível. Não consigo entender. Nunca senti arder tanto assim. Não parece que alcancei nem que sou capaz de viver o amor dos loucos. E se eu pergunto, se duvido, será que isso existe mesmo ou não seria o amor algo menos absurdo e só mais leve, menos em chamas, mais translúcido, eles me batem, eles brigam, eles insistem, eles argumentam que é claro que sim. Que existe, que é muito maravilhoso, que é uma força que te domina e te impulsiona por inteiro. E se suspeito que o pulso vem só de nós mesmos, e ainda não me faz sentido achar que viria desse amor dos loucos, me julgam, me olham mal, me chamam de sem razão nem coração. Pois que, então, talvez eu tenha perdido meu coração, e não entenda desse licor que bebem tantos poetas, dessa taça onde beberam Julieta e Romeu, onde arderam, flamejaram, enlouqueceram, e se assassinaram. Eu que não tenho a sensibilidade dos loucos, dos que queimam de amor, e meu amor é água. Queria que um dia só sentisse secar, que me afogasse no ar, que me sufocasse de terra, que me agoniasse no fogo, por um dia. E depois desse dia saberia então se vale a pena essa loucura tão profunda dos amantes. Se é melhor parecer ter perdido o coração do que só saber amar depois de ter queimado, partido, rasgado o próprio, feito ele doer, feito ele ruir, deixado-o com um pulsar fraco mas de tanto pulsar. De tanto esforçar, de tanto arder. O meu não alcança arder tanto assim. Mas os loucos com corações flamejantes me sorriem, e agonizando de dor me afirmam estar assim felizes. Eu os vejo e não entendo. Resta-me observar daqui, com meu coração que flutua, que bóia em água as vezes com as vezes sem correntezas, e me perguntar sem poder responder o que acontece com as cinzas dos corações dos maiores e mais loucos amantes.