segunda-feira, 21 de março de 2022

Mainha do Brasil

Mainha achegue pra cá

Mainha se ajeite pra cá

A história se foi para lá

Mainha venha bem antes

Que algum venha nos matar 


Mainha você partilhou

Mainha você que criou

Na terra o sangue plantou

Vermelha era a transformação

Só cinza foi o que sobrou


Agora que o tempo dilata

Agora te assaltam na lata

Mainha, te chamam mulata

A revolução nunca chegou

E a vida ficou para nada


Mainha não vale ensinar

Foram logo nos abandonar

O peixe bem gordo ficou

E nossa rede alguém furou

Pois já não sabia lutar


Mainha era nosso projeto

Mainha, um dia foi teto

Um sonho, uma voz e um veto

Mainha era a puta que o pariu

Mainha sem filhos, sem netos


Mainha se volte pra cá

Que daí já não vale esperar

Antes vão nos massacrar

Mainha, o painho do povo

Se esqueceu como é sonhar


Mainha une aqui, acolá

Mainha é quem pode salvar

Esqueça um pai traidor

Carregue um tanto da dor

E venha tão logo lutar


Mainha que está perdida

Mainha, estamos todos nessa

Mainha, vem já, tenha pressa

Mainha vai ver bem nascer

Caminho de muito tarefa


Mainha você é precisa

Mainha você é urgente

Mainha, seja consequente

Teoria que é mãe da gente

Será prática filha emergente. 





domingo, 13 de março de 2022

As nossas notas

Tento aprender com você

Como se faz o som

Ver propagar nossa história

Dança-la bem devagar


E na mesma estrofe

Falar do que importa

Pular a linha, mais um verso

Repetir o refrão duas vezes 


Resgatar o início da canção

Entender o seu ritmo

Acompanhar o compasso

Perceber a melodia


Aprender com você

Quais são nossas notas

As cifras, os acordes

E como faço pra tocar


Fazer de conta que hoje

É o nosso dia de cantar

Elaborar então a letra

Ir aperfeiçoando a música



sexta-feira, 4 de março de 2022

Sem refúgio

 Nós só queríamos paz

Direito de nascer e morrer

Viver uma vida sem bombas

Não estremecer perante alertas

Sem precisar fugir das explosões


Nós só queríamos paz

Trabalhar o nosso trabalho

Criar as nossas crianças

Plantar a nossa comida

Colher os nossos grãos


Vocês que se explodissem

Se quisessem assim

Mas vêm atirar em nós

E nas nossas crianças

Basta! Nós queremos paz


Tantas de nossas vidas

Custeiam a sua guerra

Nós não lutamos essa briga

Batalhamos nossa sobrevivência

Somos refugiados sem refúgio


Nós só queríamos a paz

Vocês tingem o céu de fuligem

Suas tropas nos invadiram

Nos tomaram de nós mesmos

Repetimos: só queríamos paz.