segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Um trabalhador me disse

Eu estava pensando numa discussão que tinha acabado de fazer com o Professor de Química, sobre o etanol, o incentivo do governo para o usarmos, através da mídia, e o preço do mesmo, que deveria ter no mínimo 1,00 real de diferença em relação ao da gasolina (aliás, houve aquele momento em que os carros flex surgiram, e os consumidores pararam de usar o etanol, por conta do preço, já que tinham a opção de escolher outro combustível, o que torna tudo um problema maior, pois o etanol seria o combustível mais viável e sustentável), quando me bateu uma fome. Para minha sorte, na mesma calçada em que eu estava, havia uma lanchonete de uns orientais. Parei pra comer e fiquei vendo o filhinho de uma japa dizer que queria ir para casa, e que estava cansado. Ele suava muito, estava com as bochechas super rosadas, e não combinava nada com aquela situação. Era tão lindo. Devia ter uns 5 anos. A mãe tentava acalmá-lo dizendo que logo iriam embora, o que devia ser mentira. Saí da lanchonete, e do outro lado da rua avistei um homem de uns 40 anos, parecido com bolivianos. Ele tinha várias madeiras como suporte pra acessórios apoiadas na parede de uma construção velha e abandonada, e fazia assim seu comércio. Atravessei a rua e fui ver suas mercadorias. Haviam pulseiras do Bob Marley, chaveiros do Iron Maiden, e até camisetas do Bob Dylan. Ele começou a falar comigo:
- Olá menina moça, moça menina. Chegue pra cá.
-Ooooi - respondi - tudo bem?
-Tudo! Fique à vontade - disse ele.
-Obrigada.
Comecei a mexer em algumas das coisas que ele tinha para oferecer, e ele soltou o seguinte comentário:
-Tá ficando cada vez mais quente né?
-Se tá! - disse eu.
-Deve ser aquela teoria dos Maias, não é mesmo? Eles falam do alinhamento dos planetas. Ou a Terra vai ficar mais quente por conta da posição que assumirá ou mais fria.
- Dizem que a Terra tende a passar por um resfriamento. O senhor já ouviu falar?
-Já sim, mas não acredito muito. Não que não possa ser verdade, ao meu ver. Mas não tenho informação suficiente para opinar. Mas eu costumo questionar muito sabe? Como aquela coisa que dizem sobre o fim do mundo, do ano de 2012. Ou melhor, diziam né? O resto do calendário já foi descoberto e segundo ele temos mais uns 5 mil anos. Mas temos que parar de sermos ignorantes e questionar mais o que nos dizem.
-Concordo plenamente com o senhor.
-E a menina moça, moça menina não vai levar nada?
-Gastei o último real num pedaço de torta.
-Se foi para matar a fome, gastou bem.
- Foi um prazer.
-Volte quando quiser, menina. Aqui estarei. Lembre-se: não sejamos ignorantes.

domingo, 25 de novembro de 2012

Memórias de infância

Me desperta grande alegria apreciar as coisas nativas da minha terra. Mamãe sempre diz que quando criança, eu era apaixonada pelas terras férteis, pelos lagos da redondeza, e pelas matas. Papai dizia que eu passava horas vendo-o trabalhar na nossa fazenda. Ele era agricultor.
Eu cresci entre o som do canto das andorinhas e o coaxar dos sapos. Não havia nada que eu gostasse mais do que preservar minha rotina, que para mim era muito valiosa: logo pela manhã, ia estudar; almoçava sempre às 12:00hs, nem um minuto a mais nem a menos; ía passear em meio a natureza; passava tempo com papai. Já de tardezinha saía com mamãe para comercializar as frutas de nosso pomar.
Os anos passavam, e eu me apaixonava pela vida. Me apaixonava pelo amor de minha família. Mas quando assumi idade para esposar, papai ofereceu dote ao Sr. Chico Pereira.
Depois de esposada tudo mudou. Fui morar em São Paulo, terra cheia dessas coisas tecnológicas. As paisagens eram outras. Mas com o tempo me adaptei. Dentro de cinco anos, com a saudade da fazenda, e de minha terra, recebi a carta informando a morte de papai. Dali, com 4 meses, mamãe adoeceu. Queria ajudá-la mas não podia.
As coisas que sentia falta foram sempre desenhadas. Eu não tinha fotografias de minha infância, mas minha memória não me falhava. E quando soube da morte de meu pai, e da doença de minha mãe, assim como desenhava o céu azul, as andorinhas, e as árvores ao redor da casa, pintei um quadro de mamãe, de quando colhia frutas no pomar, e carregava na mão uma cesta com abacaxis, mamões, bananas e laranjas. Era como eu queria vê-la, se pudesse. E por minha paixão a tudo que o meu Brasil pode me oferecer enquanto criança, chamei a imagem de mamãe de "Tropical".


terça-feira, 19 de junho de 2012

-TED PERRY, inspirado no Chefe Seattle

Isto sabemos
Todas as coisas estão ligadas
como sangue que une uma família...

Tudo o que acontece com a Terra,
Acontece com os filhos e filhas da Terra.
O homem não tece a teia da vida;
ele é apenas um fio.
Tudo o que faz à teia,
ele faz a si mesmo.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Uma eterna parte de mim




E se eu dissesse que esse tipo de coisa não faz sentido algum, e que jogaria todas as palavras no lixo só pra ver por quanto tempo o passado dura? Vou continuar com sono, vou continuar ficando sem graça à dois, e sem vergonha na cara em público. Vou continuar traçando planos que não vou cumprir, e vou continuar com ideias tremendamente insignificantes pro resto do mundo. E a vida não pára, até parar. Por que pararia eu, viva que sou? Ultimamente tenho visto tantos propósitos grandiosos nos detalhes quase imperceptíveis, que tenho me guardado, me zelado. E algumas verdades são praticamente imutáveis: o travesseiro continua a ser o melhor refúgio, os olhares ainda se baseiam no socialmente adequado, a música parece um sobrevivente desesperado, e a vida prevalece eterna. Sim, infinitamente eterna! Ah!, tem as pessoas que se escondem também. Essas são o que há de mais peculiar. Não vou fazer de conta que nos amamos demais se esquecermos de nos importar uns com os outros. As coisas continuam estranhas, daquele jeito que eu sempre adorei, e com a facilidade de mostrar que os pares não existem. Na verdade, eu diria que nada anterior já esteve tão maravilhoso. A contextualização de todos os sentimentos bons e das angústias, tem estreitado relações com a dignidade. É realmente bom saber o quão medíocre pode ser a visão temporal de quem tem 17. De qualquer forma, dá pra afirmar que nunca houve momento melhor pra tantas e tantas coisas. Já disse o poeta que "tudo vale a pena, se alma não é pequena".  Hoje é o dia em que eu consigo definir a felicidade como nunca antes, e também a tristeza. Mas não há quem me convença de que o equilíbrio não é só uma ideia abstrata. Já fui o ser mais feliz do mundo. Mas não fui o mais triste. Percebi meu poder de manipular as lembranças, e tenho usufruído muito disso. A coisa mais surreal que tenho faz parte da minha realidade agora. E só existe uma única certeza. Todo o resto são dúvidas deliciosamente insuportáveis, ou insuportavelmente deliciosas.Como é que se pode deixar de viver com tanta coisa exótica pra sentir e experimentar? Já acertei na mosca por não ter  me enfiado em correntes. Agora só me faltam os 'pés de pato' ( porque asas eu também já tenho). E eles estão crescendo! Tem mais uma coisa: a constante presença de uma consciência iluminada faz com que meus olhos míopes brilhem tanto, que a noite deixou de existir e levou embora todos os paradigmas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Uma parte de mim IV (que não é só 'de mim')

Ela pensava que isso não poderia ser discutido, ou entendido por mais ninguém. Mas ela nunca disse isso, só pensou. Até que encontrou alguém que dizia:

- Falta algo pra completar tudo isso, mas não sei oque é, só sinto falta.
- Nossa! - disse ela - Tem um vazio aí em você.
- Pois é, dureza! 
- Bom, espero que você encontre o elemento que seja capaz de preencher esse vazio.
- É, também espero.
- Acredite,não estou tentando buscar semelhanças entre nós, mas sempre caio na questão " É melhor ter o vazio como parte de você do que se forçar a ser 'preenchido' com algo que não é certo?". (Oque ela pensou mas não disse: "É possível não ter um espaço vazio dentro de si?")
- Entendi. Só que eu não fico pensando dessa forma. Mas, com você falando assim, acabo por pensar que todas as pessoas são assim, só visualizam isso de forma diferente.
- E pelas mais diversas formas de visualização, acredito que no fim, o que de fato nos motiva a sempre continuar, é acreditar que vamos encontrar algo capaz de preencher corretamente esse nosso vazio interno.
- Assim esperamos.
                                                               ...

O que ela pensava, mas foi ele que disse:
- Por causa do vazio as pessoas buscam algo para preenchê-las, mas quando se preenche, se limita. Logo o vazio é uma vontade de algo que vai muito mais além do que queremos ou imaginamos.
- Se eu estou entendo bem, você quer dizer que nossa ambição não tem fim. Que ambicionamos, conquistamos, e logo depois passamos a desejar qualquer outra coisa que ainda não temos.
- Sim, exatamente isso!

                                                            ...

O que ela pensou:

"E o vazio? Ele de fato existe em nós, ou nós é que não conseguimos nos entender completamente? E se existe, não seria ele vivo em nós até o momento em que descobríssemos o que queremos de verdade, e então parássemos de procurar sempre algo mais? 
É possível a existência de algo capaz de satisfazer o ser humano imensamente, a ponto de ele não precisar querer nada além daquilo? E se alguém não encontrar um bem tão grande assim, por toda a vida? E se não existir nada depois da vida? E se existir outra vida, levaríamos o vazio como uma deficiência de algo que não concluímos no mundo, ou teríamos a chance de 'concluir'?
E se nada mais fizesse sentido quando percebêssemos que não temos ideia de quão perto ou longe estamos de encontrar algo capaz de nos preencher verdadeiramente? E esse 'algo'...  O que poderia ser um bem capaz disso tudo?"

O que ele pensou, enfim:

"Sei lá..."

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

"Os 3"

Ao contrário do que os estrangeiros pensam, a música brasileira é muito mais que só samba. A marca sonora do país, concentra-se principalmente na MPB (Música Popular Brasileira).
Dentre muitos grandes nomes de compositores/cantores da música brasileira, como Gal Costa, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e Raul Seixas, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontinelle Fernandes, nascido no ano de 1946, foi um dos primeiros autores da MPB do nordeste, a fazer sucesso nacional, em meados da década de 1970.
Após o nascimento do cearense Belchior, em 1947 nasce a cantora paulista, Rita Lee. Desde que Rita entrou no espaço musical, houveram muitas trocas de nomes de grupos dos quais ela foi integrante, sendo Os Mutantes, o que permaneceu por mais tempo com sua participação, de 1966 à 1972. E paralelamente aos Mutantes, Rita também lançou álbuns solos, um em 1970 e outro em 1972.
Nestas épocas, Belchior e Rita faziam grande sucesso. Ambos gerando a boa sonoridade, a marca da música no Brasil, junto de Elis Regina, Milton Nascimento, João Gilberto, entre outros.
Enquanto Rita Lee assumia um estilo rico em ecletismo, mesmo porque suas músicas variavam desde rock pauleira, à bossas e baladas românticas, Belchior, que assumia um estilo próximo ao de Fagner, Ednardo, Teti, Cirino,e outros, ficava conhecido em meio ao conjunto chamado de 'Pessoal do Ceará'. Gravou seu segundo LP em 1976 (Alucinação), que consolidou sua carreira, lançando sucessos como "Velha roupa colorida", "Apenas um rapaz latino-americano" e "Como nossos pais" (mais tarde gravada por Elis Regina). 
Em 1975, isto é, nesse mesmo período de sucesso para Rita e Belchior, nasce nos Estados Unidos o movimento punk. Movimento que foi de grande influência para um grande ídolo brasileiro, venerado até hoje, mesmo depois de sua morte: Renato Russo. Nascido em 1960, no Rio Janeiro, Russo, que viveu nos Estados Unidos dos seus sete aos onze anos de vida, quando retornou para o Brasil, e pode se recuperar de uma doença que o deixou de cama por quase dois anos, quis implantar o movimento punk em Brasília.
Diferente de Belchior, que cantava durante a ditadura, e que por conta de suas canções serem ricas em críticas feitas ao governo indiretamente, e cheias de ironia, permaneceu um tempo exilado, Russo habitou um Brasil mais livre de censuras. Suas composições são dotadas de sensibilidade, e para cada letra, é possível absorver um pensamento e/ou uma contribuição poética sob a vida e as djcotomias da sociedade. Renato, Rita e Belchior trazem críticas sociais,letras românticas,abusadas, e melodia para "todos os gostos".
É claro que, mesmo estes três ícones da música tendo suas diferenças entre si, que é o que os tornam tesouros sonoros únicos, a semelhança que há entre eles se traduz na composição da MPB e do rock nacional, e  no talento musical.  





     

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Uma parte de mim III (que se revolta)

Leia Uma parte de mim II





Sonhei que a bandeira me impedia de sorrir. Sonhei com falsos patriotas que me obrigavam a partir. Sonhei com o verde e o amarelo: o verde da grama e o amarelo do sol. Estes deviam valer mais que o verde esmeralda e o amarelo ouro. Eu sonhei que podia fazer sempre as escolhas certas, e achei que iria dormir para sempre. Meus sonhos são tão precisos, sem dúvidas, e ao mesmo tempo tão confusos, cheios de dúvidas. Só acordo uma vez por dia, e acredito que posso viver tudo, porque o hoje é um sonho. E é fato que não tenho só sonhos bons. Mas o lado desagradável faz parte, e é importante para eu poder acordar e ter aprendido uma coisa nova. Uma vez em um sonho me disseram que as experiências são as nossas professoras, e que a arte da vida é acordar e continuar a sonhar. No entanto, também é preciso dominar a técnica de se desapontar, mesmo porque eu posso fazer tudo o que eu puder pelo meu sonho, mas tudo o que eu puder, não é tudo. Esse é o 'tudo' do meu limite. E eu vejo verde e amarelo por todos os lados, seja dormindo ou não. Uma outra vez, em um outro sonho, um soldado me disse que eu deveria acordar, para poder superar meus limites. Quando eu abri os olhos, percebi que superar meus limites era superar a mim, todos os dias quando acordo. E o maior milagre dos meus sonhos é deixar esses garotos de 18 anos irem embora sem perdê-los. Entender que eles tem que partir, mas não abandoná-los. E quando eu acordei, senti uma lágrima deslizar por minha face. Eu vi verde, amarelo, azul, estrelas brilhantes (aquelas que roubaram o brilho dos olhos das crianças de rua), e vi uma faixa. Uma faixa grande, e nela estava escrito alguma coisa que não entendo bem. Aos meus olhos parecia "ODERM E PORGSRESO".








                             Leia Uma parte de mim IV

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Uma parte de mim II (que caminha)

Duvidar proporciona para dentro de si mesmo a poderosa contradição, ou não. E chega um momento em que você descobre que mesmo quando não se deu conta, e achou estar sendo firmemente decidido, a dúvida esteve presente. Numa determinada hora você percebe que não há como fugir dos momentos de insegurança. E logo você passa a agradecer por ter esses momentos. Afinal, qual seria o propósito da vida se tivéssemos apenas certezas? Duvidar nos mantém vivos, de fato, pois a história de cada um é escrita por suas próprias escolhas. E cada escolha carrega uma dúvida antes de ser realizada. Mas sempre devemos escolher sem hesitar, porque seja a escolha certa ou errada, é  importante que ela aconteça. E mesmo que você se arrependa, pode não vir de imediato, mas sempre tomamos a lição de um erro. E depois você compreende que graças as suas dúvidas, e através de suas escolhas, vivenciou experiências que fizeram de você, quem você é. E ser quem você é, é um talento único, a arte de ser você mesmo, só você domina. Mas nem sempre você tem clareza na ideia de quem é você, e as vezes isso pode nos levar a acreditar que a vida não é só o que parece ser. Pode nos levar a acreditar que a vida é algo a mais. E é como se aceitássemos somente o fato de estarmos respirando, como uma subsistência, aguardando por algo que achamos ser desconhecido: viver. E então, chega um momento que você descobre que a vida é o seu agora, e que por isso, esse é o seu momento de fazer escolhas. E você sabe, simplesmente sabe, que a sua história é o seu tempo, e que não precisa se apressar, pois na sua história você nunca estará atrasado. Seu tempo é o seu tempo, e o que for pra ser, já é. Portanto, ao passar por dúvidas e tomar decisões, você está escrevendo sua poesia. E mesmo nos versos mais confusos, você pode ler e dizer ao eu lírico "eu te entendo". E, enfim, você descobre que é capaz de dar valor as incertezas da vida, porque é através delas que se adquire as certezas. E poder conquistar sempre novas certezas, e expandir suas escolhas a novas possibilidades,  lhe concede a honra de ser revolucionário.