Eu estava pensando numa discussão que tinha acabado de fazer com o Professor de Química, sobre o etanol, o incentivo do governo para o usarmos, através da mídia, e o preço do mesmo, que deveria ter no mínimo 1,00 real de diferença em relação ao da gasolina (aliás, houve aquele momento em que os carros flex surgiram, e os consumidores pararam de usar o etanol, por conta do preço, já que tinham a opção de escolher outro combustível, o que torna tudo um problema maior, pois o etanol seria o combustível mais viável e sustentável), quando me bateu uma fome. Para minha sorte, na mesma calçada em que eu estava, havia uma lanchonete de uns orientais. Parei pra comer e fiquei vendo o filhinho de uma japa dizer que queria ir para casa, e que estava cansado. Ele suava muito, estava com as bochechas super rosadas, e não combinava nada com aquela situação. Era tão lindo. Devia ter uns 5 anos. A mãe tentava acalmá-lo dizendo que logo iriam embora, o que devia ser mentira. Saí da lanchonete, e do outro lado da rua avistei um homem de uns 40 anos, parecido com bolivianos. Ele tinha várias madeiras como suporte pra acessórios apoiadas na parede de uma construção velha e abandonada, e fazia assim seu comércio. Atravessei a rua e fui ver suas mercadorias. Haviam pulseiras do Bob Marley, chaveiros do Iron Maiden, e até camisetas do Bob Dylan. Ele começou a falar comigo:
- Olá menina moça, moça menina. Chegue pra cá.
-Ooooi - respondi - tudo bem?
-Tudo! Fique à vontade - disse ele.
-Obrigada.
Comecei a mexer em algumas das coisas que ele tinha para oferecer, e ele soltou o seguinte comentário:
-Tá ficando cada vez mais quente né?
-Se tá! - disse eu.
-Deve ser aquela teoria dos Maias, não é mesmo? Eles falam do alinhamento dos planetas. Ou a Terra vai ficar mais quente por conta da posição que assumirá ou mais fria.
- Dizem que a Terra tende a passar por um resfriamento. O senhor já ouviu falar?
-Já sim, mas não acredito muito. Não que não possa ser verdade, ao meu ver. Mas não tenho informação suficiente para opinar. Mas eu costumo questionar muito sabe? Como aquela coisa que dizem sobre o fim do mundo, do ano de 2012. Ou melhor, diziam né? O resto do calendário já foi descoberto e segundo ele temos mais uns 5 mil anos. Mas temos que parar de sermos ignorantes e questionar mais o que nos dizem.
-Concordo plenamente com o senhor.
-E a menina moça, moça menina não vai levar nada?
-Gastei o último real num pedaço de torta.
-Se foi para matar a fome, gastou bem.
- Foi um prazer.
-Volte quando quiser, menina. Aqui estarei. Lembre-se: não sejamos ignorantes.






