domingo, 4 de novembro de 2018

A cabeça e o coração

Você é o amor com quem eu pude construir uma amizade, pra mudar minha ordem habitual de ser amiga e depois ser qualquer coisa boa, desenvolvendo laços. Existe hoje um alinhamento mais claro de todas as minhas relações amorosas, e entendo melhor seus "comos e porquês". E no que entendo mais de nós dois, as nossas razões para estar juntos têm intensificado meu sentimento, porque você não precisa ser nada do que eu queria. Você é uma possibilidade muito melhor pra mim do que eu poderia querer pra mim mesma com minhas ideias de auto cuidado sempre, e de relações tanto mais saudáveis e produtivas quanto possam ser. Digo que é melhor, porque cá na minha cabeça de antes eu já confiava em mim mesma, sobre me conduzir a coisas boas. Mas eu não sabia o quanto isso estava no meu coração e como ele também pode ser meu guia. Esse coração hoje me leva a seguir caminhando sendo e tendo sua companhia. E a minha cabeça, que absorve aos poucos novos aprendizados e com a qual posso pensar e concluir que quanto mais vida, mais tenho a aprender, essa mesma cabeça que você conhece, sabe das inteligências, das loucuras, sabe das baboseiras inúteis e até da chaticesse presente e desnecessária, concebia sozinha uma noção do ideal para estar junto comigo. Eu ainda acho que ter essa ideia é um norte importante para as pessoas, e que isso é sobre filtrar o tipo de pessoa que se quer por perto. Mas meu coração, ah sim, meu coração podia jogar a listinha do ideal no lixo, sem perder o filtro. Isso significa que tudo que minha cabeça determinou o coração sabia mais e melhor, e enquanto a mente estabelecia que estaria com alguém que fizesse bem, o coração sabia exatamente o que faria bem. É por isso que é tão bonito as vezes me ver pensando "gosto muito mesmo", com essa cabeça a quem fogem certas compreensões. Eu me surpreendo com o tanto de coisas que eu vejo em você e que me apareceram na vida através de você, me ensinando e que nem fazia ideia de que eram o que eu precisava por perto. De que eram o que me fortaleceria. Tudo que minha cabeça diz que quer são produtos de misturas das realidades e das ilusões, e o que eu vejo junto de você é que não preciso de tudo que eu quero. Não preciso ser refém do acúmulo de ideais embutidos há tanto tempo. E meu coração, esse eu só devia ter ouvido mais, como estou aprendendo a ouvir agora. É importante sim elaborar tudo que somos com a cabeça, mas me parece que as pessoas mais felizes não precisam pensar tanto (rsrs). É como se já houvesse uma luz dentro de nós dois que agora eu posso enxergar. E é por isso que você é o melhor amor possível desse tipo de relação. Porque você chega a ser melhor que minhas utopias, você ainda é o que eu quero depois das diferenças, ainda é o que eu quero depois das dificuldades, ainda é o que quero depois da chateação ou do nervosismo. Você é o lugar onde quanto mais eu aprendo a ficar mais bem faz ficar. E dessa vez o querer é com o coração, que se une àquele querer construído na cabeça, e permite um diálogo de dois parceiros que eu ainda estou sintonizando. A cada pequeno desafio do dia a dia, a cada detalhe que as vezes carrego de importância, estão grifadas as demonstrações do que minha cabeça me faz esperar, enquanto pro coração coisas de outras relevâncias são tocadas. As coisas que realmente importam. As coisas que nos fazem continuar. As coisas que me fazem seguir nesse amor, ou que fazem o amor nos seguir. Embalada em tantas doses de verdades sobre nós, eu sei que te amar é maior. E te amar é um presente dessa vida, que eu quero usufruir mais e mais.

domingo, 21 de outubro de 2018

Quando

Ela tinha a esperança
De viver num tempo
Em que não fosse preciso
Ponderar o que é bom
Quando destacado o ruim

Esperava que ainda
Pudesse saber do bem
Não porque soube do mal
Mas que o bem fosse mais
Que fruto de comparação

Queria poder o bem
Mais que não poder o mal
Queria que o que é bom
Assim o fosse, por si só
Mais que diferente do mau



quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Quando contar dos dias de hoje

Era preciso tanta calma e discernimento
Pra lidar com quem não fazia cerimônia
Escancarava suas verdades mais imundas
E mesmo se por um instante
Tentaram maquilar as podridões
Não há máscara que prevaleça
A moral nauseante de alguns humanos.

Era calma sim, mesmo no combate
Não postura professoril ou fina
Mas a parcimônia das palavras
A audição moderada, a regra do filtro
De conter somente o que é serventia
Pra não despropositar a alma
E seguir adiante apesar das injúrias.

Era até mais que serenidade
Porque não era mansidão estável
Era uma batalha entre sociais doentes
E revolucionários pacientes e móveis
Que exerciam a indignação saudável.
Esses eram os de ideais nada passivos
E os que menos recuavam diante
Da passividade à toda mudança possível.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

IMENSURA

Não insiste se for pesado
Nem se ora é peso ora é leve
Que não lhe cabe à métrica.

Se precisa esforçar-se fica
Mas se a força não vale, sai
Que não lhe cabe à métrica.

Profundeza de experiência
Nem muito funda nem rasa
Que não lhe cabe à métrica.

Tem a abertura do amar
Não espera largura do outro
Que não lhe cabe à métrica.

A extensão dos vazios
Não deixe assustar demais
Que não lhe cabe à métrica.

Solidão como opção, aprende
Se pouco só ou só consigo, basta
Que não lhe cabe à métrica.

Falta demais a aptidão
Sobra prontidão, segue
Que não lhe cabe à métrica.

Ou o mundo todo sob os pés
Ou é passeio do mundo, troca
Que não lhe cabe á métrica.

A mão procura laço de apoio
Encontra insegurança, solta
Que não lhe cabe à métrica.

Moral enlatada em conserva
Ética fruto no pé, colhe
Que não lhe cabe à métrica.

Constrói o desfazer próprio
Que é um e outro e nenhum
E medidas de si não existem.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Economia Ambiental vs Economia Ecológica

É um convite, é um sinal
Pra economia conhecer
A EcoEco, a Ambiental
E agora vamos debater     (refrão)

A economia ambiental
É a chamada neoclássica
Pela forma e conteúdo
Não convém ao bem da massa
Tem a mania de achar
Que a mudança vem de graça

Duas linhas de pensamento
Que tratam o ambiente
Como fonte de recursos
Que só servem para gente
Não preocupa em enxergar
A natureza profundamente

(refrão)

A economia ecológica
Conforme a termodinâmica
É um sistema aberto
Que abrange suas mudanças
Sabe que em preservação
Tem que superar a ganância

Ela não é mecanicista
Nem de sistemas isolados
Faz bem vinda à entropia
Passou da física do passado
Não tem fé em tecnologia
Isso é muito insustentável

(refrão)

A economia ambiental
Avalie bem você
Fala de recursos naturais
Porque é só o que consegue vê
É mineral, florestal, marinha
E só quer nos abastecer

Sua outra colocação
É com a parte dos resíduos
Tanto consumo e produção
Que só nos mantém nesse ciclo
Economia da Poluição
É o seu nome de batismo

(refrão)

A economia ecológica
Vê o ambiente, a ecologia
Sabe que há necessidade
De matéria e energia
E que vai gerar resíduos
Com mais alta entropia

E os fatores de produção
Que tem complementaridade
Vem à economia lembrar
De uma novidade
Das relações biofísicas
Essa é a nossa análise

(refrão)

A economia ambiental
Pensando sempre na extração
Compreende que os resíduos
Não são infinitos não
Sabe dos não renováveis
E dos que são com condição

O mau do modelo é achar
Que só a mão que é invisível
Vai dar conta de corrigir
Uma falta perceptível
Não adianta elevar os preços
E deixar o pobre excluído
Além disso ser desumano
O ambiente tá em perigo

(refrão)

Na economia ecológica
É importante lembrar
Que há capacidades de carga
E é insustentável ultrapassar
Precisa pensar estratégias
Para a escassez evitar

Atenção aos impactos
Que impedem a regeneração
Dos ecossistemas do mundo
E dos recursos, a exaustão
Veja bem o que é certo
Cola já na EcoEco.

(refrão)

terça-feira, 5 de junho de 2018

Auto Consulta

Decidiu buscar ajuda profissional
Um psicólogo precisava visitar
E organizar toda a bagunça que era.

Não se entender, pra muitos banal.
Furtaram-lhe o sentido em aconselhar
A quem lhe pedia, como já pudera.

E o que sentia ser sufoco espacial
Naquele universo próprio a tratar
Que fez perder as tuas quimeras

Prestes a encarar o exercício oral
Era tanto, mas tanto a falar
Que só riu, e aquilo mais nada era. 


terça-feira, 10 de abril de 2018

Reflexões a partir de 'Pantera Negra'


Várias críticas a respeito do filme Pantera Negra contemplam suas cenas cheias de significado, a exploração da Marvel por tecnologias avançadas, as questões de representatividade, e mesmo as opiniões tanto vindas de quem tem mil elogios à colocar, como de uma crítica negativa sobre alguns aspectos do longa, como o elenco quase totalmente negro (o que para um filme de um herói de Wakanda, não deveria trazer menos, e isso nem é negativo), o retrato de uma sociedade avançada em ciência e tecnologia, mas que se esconde do resto do mundo para evitar a ganância humana, e o fato de essa sociedade ser africana (o que acaba por soar mais como um incômodo de quem sente necessidade de reclamar de algo muito bom quando vem de negros), ou ainda de falas de um vilão com uma história pessoal que denuncia o abandono e preenche o personagem de  revolta, como sendo uma representação muito apelativa. A respeito desse caráter apontado como apelativo, para além dos raros momentos em que isso poderia ser identificado no filme, é interessante compreender as razões que levam o personagem a agir como age.
O vilão do filme é adepto das ideias de emancipação negra, e é de se supor que sua leitura histórica não difere essencialmente da de T’Challa, herói protagonista. No entanto, o vilão nesse contexto é motivado por uma revolta que já fez parte de todos os negros e negras na história da humanidade que descobriram que poderiam ser livres quando não eram. Isso o filme traz e permite analogias muito palpáveis com as questões da negritude. T’Challa tem a compreensão da necessidade de paz entre os povos, tal como Mandela mesmo depois de todos os anos preso, ou como Martin Luther King. Mas há um estágio da percepção da necessidade de resistência a um formato de vida escravizador e opressor, que pode evoluir para soluções como a que o vilão prevê como ideal na história de Pantera Negra: se pudesse voltar no tempo, talvez tivesse invertido os papeis de negros e brancos, e seu objetivo mesmo no filme é que a tecnologia de Wakanda seja usada para esse fim, em defesa do povo negro através de guerras. Não é difícil supor a violência como método mais eficiente para combater a violência e a injustiça.
O que o povo de Wakanda faz é justamente o contrário, vivendo em paz e em respeito a decisão de não compartilharem seu conhecimento com o mundo. Esse tipo de reação do vilão é muito análogo ao que as vezes acontece nos separatismos na luta contra o racismo, e é da mesma forma que para o personagem, cheio de justificativas mais que plausíveis. Mas é uma discussão a amadurecer sempre, porque a luta contra o racismo é pela igualdade, ainda que seja difícil avançar com foco na construção de um mundo mais igualitário enquanto é preciso se opor ao mundo como ele é – oposição que o vilão está fazendo a seu modo.
O filme traz uma bela dose de ficção científica, e o fato de Wakanda não ter sido colonizada permite explorar com potencial o desenvolvimento de sua civilização, somando-se aí a presença do vibranium, elemento vindo de um meteoro e que abastece a sociedade enérgica e tecnologicamente, além de transformar mesmo aspectos ambientais e permitir uma barreira de esconderijo para Wakanda, sendo um alicerce dos meios de produção. E a cultura de um povo que preserva isso do restante do mundo a fim de evitar o mau uso do vibranium, é baseada em valores de justiça e paz. Mesmo nas batalhas importantes que fazem parte dos rituais e do sistema político, onde são buscados a aprovação e o mérito ao trono, com a coragem e a força de um líder, um rei que saberá proteger Wakanda, o poder do Pantera Negra é removido de T-Chala, para que a luta seja justa. E apesar de saberem dos riscos de seu conhecimento ser partilhado com o mundo, Wakanda é o próprio exemplo de uma sociedade com um estilo de vida harmônico à disponibilidade de recursos, e ao uso consciente desses.
Como mais dois pontos fortes do filme, tem-se tanto a participação e a devida importância de um personagem branco no enredo, como a representatividade feminina. Do segundo ponto, a força, as habilidades e a inteligência das principais mulheres do filme permitem reconhecer mais de um herói em Pantera Negra, ou melhor, heroínas. O papel por elas desempenhado não ficou totalmente à mercê dos clichês da representação feminina frágil, sentimental, esposa ou mãe como personagens secundárias e sem grande contribuição aos acontecimentos, ou ainda da sexualização com que se retratam negras de modo geral. São, pelo contrário, essenciais ao desenrolar da história em mais que apoio ao Pantera Negra, são também tomadoras de decisões importantes e mais que corajosas em batalha. E sobre o primeiro ponto, para finalizar essa proposta de reflexões a partir do filme, a forma de retratar a participação de um branco em Wakanda, que teve seu papel e sua importância nos combates, é também simbólica e ilustrativa de um modo de, naquele contexto, fazer parte da batalha do filme em meio a um ambiente e a questões que não eram diretamente suas, mas nas quais podia ajudar. O que é isso se não um exemplo de onde a branquitude deve e pode se situar nos movimentos? Única cena em que deslocam de propósito o único personagem branco que está em Wakanda, como se não pudesse falar ali, é uma piada de uma das tribos para ridicularizar a exclusão.
Quem assistiu no cinema e esperou pelas duas cenas pós créditos, além da chance de saborear seus detalhes a mais ao filme, pôde observar que até ali o conteúdo é todo carregado de mensagens políticas, na cena do discurso de T’Challa. Que assim como já existem muitas referências de heróis brancos de mais repercussão no cinema e no mundo, também possa haver uma variedade de heróis de todas as raças para que não faltem os exemplos, e para que esse entretenimento seja tão representativo, que se possa discutir e comparar os filmes para muito além de pautar antes de tudo a questão racial. Melhor ainda seria que um processo de mudança assim no cinema fosse ou produto ou contribuinte de cada vez mais transformações sociais pela igualdade.

Wakanda forever!
Fonte: Ovelha Mag

sexta-feira, 9 de março de 2018

Naqueles dias

Lá vai ela toda corrida
Cheia do dia de trabalho
Os seios inchados doem
A cada encostão no ônibus.

Tá voltando pra casa,
No meio do caminho
Passa no mercado, e
Se der tempo no banco.

Ela tinha acordado cedo
Já sabendo que viria
Em breve o teu sinal.
Queria poder ficar em casa.

Começou um certo incômodo
Cólica que foi tomando força
E agora no fim do dia
Já era um monstro grunindo nela.

Foi ao caixa pagar a compra
E no mais banal dos gestos,
Um desentendimento de centavos
Entre cliente e gerência.

E ela, ali na frente de todos
Enquanto argumentava
Não podia segurar as lágrimas
Que vinham bem sabia porquê.

Esses dias eram como acumular
O estresse da rotina de sempre
Com hormônios em potencial
Pra construir uma nova bomba.

terça-feira, 6 de março de 2018

Recado ao seu cortisol

Se achou agonia com ou sem motivo
Joga o estresse em se livrar disso fora,
Que a ânsia de não se sentir mal
Não faz muito além de acumular
Mais força pra apertar a garganta
E lembra que nada é sem razão
Até os dias em que falta leveza.
A preocupação devia servir apenas
Pra nos lembrar de tê-la um pouco menos.
Quando a paz for perturbada
Deixa então vir o terremoto
E faz dele o terreno em que samba,
Que a cada abalo a tranquilidade volta
Pra uma música mais serena que antes.
E se não tiver fazendo sentido pra si
Não carece tanto tentar se desvendar
Sente devagar como, à flor da pele,
É o caminho de volta até teu profundo
Que assim, mais que lida com emoções:
Experimenta a dose que quiser
De cada uma delas.



domingo, 4 de março de 2018

Confesso

Quando eu deito em você
É pra confessar que confio
Na cura do seu carinho

Seu abraço, sempre que quero
É pra confessar com desejo
Como é bom te sentir perto

Se fecho os olhos e te beijo
Vou confessando em segredo
A verdade de que te amo.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Fictícia


Então sentou e escreveu:

Tenho um amor que me faz vibrar de verdade, um amor que me dá coragem, que me dá disposição pra viver as coisas. Meu amor me ensinou o que é companheirismo. Antes desse amor eu tinha noções diferentes das que tenho hoje, nunca tinha ficado tão esclarecido na minha cabeça que quero ser amiga e amante de uma pessoa que me faça companhia. O que eu sinto que me traria felicidade nesse amor é poder estar junto, poder contar com o outro quando precisar, e mais, poder estar junto quando não for preciso, porque na maior parte do tempo não é uma questão de necessidade, é uma escolha feita por amor. Um amor que tem carinho, confiança, que tem elogios porque acha a outra pessoa tão maravilhosa que sente vontade de dizer. Um amor de admiração das qualidades da pessoa e de paciência com defeitos, Um amor que me faz querer ouvir quando preciso ouvir, um amor que me ensina a falar quando tenho que falar, um amor de sinceridade, de franqueza, um amor que mostra o quanto não tenho maturidade em alguns aspectos enquanto me faz amadurecer. Tenho um amor que não me faz querer casar porque me permite pensar o que é o casamento de fato, ou como normalmente é, um amor que não é cego, é realista, pé no chão, que me faz refletir de verdade. mas um amor que quer ter a chance de escolher casar ou não, porque esse meu amor quer ser livre! Quer ser livre pra poder fazer escolhas, sejam elas partes de algo não esperado ou as mais clichês e convencionais. E um amor que sabe o que quer fazer com outra pessoa, que quer que as pessoas envolvidas estejam com os desejos atendidos e combinados, sabendo balancear, ceder e reivindicar. Que não se vê obrigado à. Tenho um amor que não faz esperar por convites como se a presença fosse uma regra de funcionamento em um roteiro de vida social pré estabelecido. Um amor de "sins" e de "nãos". Um amor que tem pequenas demonstrações que fazem diferença. E esse amor é grande! É um amor que faz de mim mais viva! E pela primeira vez eu tenho um amor que vai muito mais além de ficar presa a valores que eu tinha em mim porque cresci aprendendo eles. Esse meu amor me mostrou outras verdades, outras possibilidades, outro mundo maior que minhas pequenas ideias. Tenho um amor que me expande como pessoa, um amor pelo qual ambicionar ser ainda melhor, um amor pelo qual sou capaz de planejar desde um final de semana e o que comer juntos, até de que forma queremos viver.

Do último ponto final sucedeu somente o silêncio. Os segundos passavam enquanto ela passava os olhos sobre aquilo que acabara de escrever sem reconhecer palavra alguma. "Escreve sobre a sensação que tinha naquele relacionamento" recomendaram. "Ah, eu tenho certeza de que se você se colocar inteira num texto, sabe?!... Esparramar os sentimentos mesmo, vai ser um texto lindo". Ouviu e foi carregando isso na mente até tecer o que havia escrito. E agora diante do trecho, se dividira em duas partes: a primeira delas tentava furiosamente se reconhecer naquilo, tentando o auto convencimento de que se colocara em verdade naquele texto; a segunda parte ria, confrontando e atrapalhando a tentativa de concentração já frustrada da primeira, porque sabia que era fácil escrever qualquer coisa que pudessem chamar de lindo. 





quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Saudade

Olha só pai, ainda tinha lágrima
Descia pela minha bochecha
Quando eu deitei pra dormir.
É pai, eu fiquei esperando
Você aparecer pra me ver
Dançar quadrilha na escola.

Pai, eu já sentia sua falta
Antes de aprender a ler
Mas com você eu aprendi
A escrever certinho 'saudade'
Foi assim pai, que eu cresci
E olha bem pro meu tamanho.

Pai, obrigada pelo que sofri
Eu sei que às vezes a gente
Não se esforça o quanto pode.
É pai, você me deu o presente
De saber fazer questão de quem
Eu amo e de onde quero estar.

Olha só pai, eu já me apaixonei
Já tive também outros amores
E adivinha só o que eu queria?
Aquele mesmo carinho pai,
Que eu fiquei sem receber
Quando nem tinha seu abrigo.

Veja bem pai, é assim caminhar
Não sei como foi com você
Mas sei como você reflete em mim.
Obrigada pai, ainda posso crescer
Porque hoje eu consigo dar
Tudo que pensei sempre merecer.





sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Morto Vivo


Há desprazer em encarar seus relatos raros
Condizentes com sua narrativa desanimada
Que amarga na própria postura indiferente
Diante do que nem você mesmo aprecia.
E quem lhe tem à convivência logo aprende
Também disfarçar o desdém que você gera.

Se fala, é um desperdiçar de palavras soltas
Da língua com que você evita esforçar lábia,
E mesmo intentar conversa já lhe é fadiga
Recluso ao seu animal misantropo interior,
Incapaz de buscar praticar sequer uma prosa
Único resquício civilizatório que lhe sobraria.

Com que frieza se relaciona, por mera convenção
E nunca é mais que manter uma imagem qualquer
A fazer de conta que ainda pode levar uma vida tal
Tão normal quanto qualquer rotina de quem vive,
Como se verdadeiramente lembrasse o que é sentir
E pudesse ignorar sua natureza bestial consciente.

Finge passar por ocasiões de emoção, ter moral,
Acumula histórias já que não há outra escapatória,
Mas nem o semblante você consegue transformar
O desinteresse lhe é natural e estampado na cara.
Quando resolver não mais perambular, finalmente
Pondo-se à terra, dirão:"Esse que morreu, era morto".




quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Desate um nó

Já sente assim, moça
Assim como se cá dentro
Ao interior da consciência
De um lugar que não se repete
E cada um tem o seu

Se aí na tua foz dos pensamentos
Já não encontra brilho onde queria
E se já agiu conforme o que podia
No teu esforço único a dar brilho,
Então não fique.

Se já está feliz e nada te soma
Quando se vê muito menor
Em algo que podia ser grande
E que se o fosse, te alegraria
Então não fique.

E mais, se chegar a concluir
Que andas bebericando
Em um copo, tanto faz se
Meio cheio ou meio vazio
Enquanto bem sabe do que quer beber,
Então não engula.