sexta-feira, 9 de março de 2018

Naqueles dias

Lá vai ela toda corrida
Cheia do dia de trabalho
Os seios inchados doem
A cada encostão no ônibus.

Tá voltando pra casa,
No meio do caminho
Passa no mercado, e
Se der tempo no banco.

Ela tinha acordado cedo
Já sabendo que viria
Em breve o teu sinal.
Queria poder ficar em casa.

Começou um certo incômodo
Cólica que foi tomando força
E agora no fim do dia
Já era um monstro grunindo nela.

Foi ao caixa pagar a compra
E no mais banal dos gestos,
Um desentendimento de centavos
Entre cliente e gerência.

E ela, ali na frente de todos
Enquanto argumentava
Não podia segurar as lágrimas
Que vinham bem sabia porquê.

Esses dias eram como acumular
O estresse da rotina de sempre
Com hormônios em potencial
Pra construir uma nova bomba.

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