Lá vai ela toda corrida
Cheia do dia de trabalho
Os seios inchados doem
A cada encostão no ônibus.
Tá voltando pra casa,
No meio do caminho
Passa no mercado, e
Se der tempo no banco.
Ela tinha acordado cedo
Já sabendo que viria
Em breve o teu sinal.
Queria poder ficar em casa.
Começou um certo incômodo
Cólica que foi tomando força
E agora no fim do dia
Já era um monstro grunindo nela.
Foi ao caixa pagar a compra
E no mais banal dos gestos,
Um desentendimento de centavos
Entre cliente e gerência.
E ela, ali na frente de todos
Enquanto argumentava
Não podia segurar as lágrimas
Que vinham bem sabia porquê.
Esses dias eram como acumular
O estresse da rotina de sempre
Com hormônios em potencial
Pra construir uma nova bomba.
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