Então sentou e escreveu:
Tenho um amor que me faz vibrar de verdade, um amor que me dá coragem, que me dá disposição pra viver as coisas. Meu amor me ensinou o que é companheirismo. Antes desse amor eu tinha noções diferentes das que tenho hoje, nunca tinha ficado tão esclarecido na minha cabeça que quero ser amiga e amante de uma pessoa que me faça companhia. O que eu sinto que me traria felicidade nesse amor é poder estar junto, poder contar com o outro quando precisar, e mais, poder estar junto quando não for preciso, porque na maior parte do tempo não é uma questão de necessidade, é uma escolha feita por amor. Um amor que tem carinho, confiança, que tem elogios porque acha a outra pessoa tão maravilhosa que sente vontade de dizer. Um amor de admiração das qualidades da pessoa e de paciência com defeitos, Um amor que me faz querer ouvir quando preciso ouvir, um amor que me ensina a falar quando tenho que falar, um amor de sinceridade, de franqueza, um amor que mostra o quanto não tenho maturidade em alguns aspectos enquanto me faz amadurecer. Tenho um amor que não me faz querer casar porque me permite pensar o que é o casamento de fato, ou como normalmente é, um amor que não é cego, é realista, pé no chão, que me faz refletir de verdade. mas um amor que quer ter a chance de escolher casar ou não, porque esse meu amor quer ser livre! Quer ser livre pra poder fazer escolhas, sejam elas partes de algo não esperado ou as mais clichês e convencionais. E um amor que sabe o que quer fazer com outra pessoa, que quer que as pessoas envolvidas estejam com os desejos atendidos e combinados, sabendo balancear, ceder e reivindicar. Que não se vê obrigado à. Tenho um amor que não faz esperar por convites como se a presença fosse uma regra de funcionamento em um roteiro de vida social pré estabelecido. Um amor de "sins" e de "nãos". Um amor que tem pequenas demonstrações que fazem diferença. E esse amor é grande! É um amor que faz de mim mais viva! E pela primeira vez eu tenho um amor que vai muito mais além de ficar presa a valores que eu tinha em mim porque cresci aprendendo eles. Esse meu amor me mostrou outras verdades, outras possibilidades, outro mundo maior que minhas pequenas ideias. Tenho um amor que me expande como pessoa, um amor pelo qual ambicionar ser ainda melhor, um amor pelo qual sou capaz de planejar desde um final de semana e o que comer juntos, até de que forma queremos viver.
Do último ponto final sucedeu somente o silêncio. Os segundos passavam enquanto ela passava os olhos sobre aquilo que acabara de escrever sem reconhecer palavra alguma. "Escreve sobre a sensação que tinha naquele relacionamento" recomendaram. "Ah, eu tenho certeza de que se você se colocar inteira num texto, sabe?!... Esparramar os sentimentos mesmo, vai ser um texto lindo". Ouviu e foi carregando isso na mente até tecer o que havia escrito. E agora diante do trecho, se dividira em duas partes: a primeira delas tentava furiosamente se reconhecer naquilo, tentando o auto convencimento de que se colocara em verdade naquele texto; a segunda parte ria, confrontando e atrapalhando a tentativa de concentração já frustrada da primeira, porque sabia que era fácil escrever qualquer coisa que pudessem chamar de lindo.

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