Há desprazer em encarar seus relatos raros
Condizentes com sua narrativa desanimada
Que amarga na própria postura indiferente
Diante do que nem você mesmo aprecia.
E quem lhe tem à convivência logo aprende
Também disfarçar o desdém que você gera.
Se fala, é um desperdiçar de palavras soltas
Da língua com que você evita esforçar lábia,
E mesmo intentar conversa já lhe é fadiga
Recluso ao seu animal misantropo interior,
Incapaz de buscar praticar sequer uma prosa
Único resquício civilizatório que lhe sobraria.
Com que frieza se relaciona, por mera convenção
E nunca é mais que manter uma imagem qualquer
A fazer de conta que ainda pode levar uma vida tal
Tão normal quanto qualquer rotina de quem vive,
Como se verdadeiramente lembrasse o que é sentir
E pudesse ignorar sua natureza bestial consciente.
Finge passar por ocasiões de emoção, ter moral,
Acumula histórias já que não há outra escapatória,
Mas nem o semblante você consegue transformar
O desinteresse lhe é natural e estampado na cara.
Quando resolver não mais perambular, finalmente
Pondo-se à terra, dirão:"Esse que morreu, era morto".
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