sábado, 8 de outubro de 2016

Com um pincel na mão

Eu vi tuas cores pra aprender
Vi no espelho meu corpo a posar
Eu vi teus pincéis perdidos a ir
Buscando outra tela pra se esbanjar
Observa a gratidão a falar
É obra que nem um deus
Pintaria fácil, mas você pinta
E na tua excitante mudança,
Essas mãos já não querem pintar.
Não faz mal, que é possível
Pra sempre essa captura admirar
De todo olhar que já desprendeu
Você doou pr'um quadro começar
Faz cativar toda a incerteza
Que existe em cada caminho a trilhar
E pode esse peito inflar
Por se abrir, se metamorfosear.
E se fica de novo enlouquecido
Guarda a coleção de tintas novas
Rabisca num papel achado
O que mais pode te assustar
Que na vida é perda de tempo
Não usar um medo pra se encorajar
Deixa rescender a solidão
Porque é nela que vai se segurar
E com prazer fazer emanar
Tudo que é tão seu que já não precisa
E se entrega ao novo que vai criar.
Se um dia, de tanta, te sobrar alegria
Mira alto, joga toda arte pro ar
Faz do mundo tua obra prima
Vê? Está tudo diante de ti a esperar.
Vai distante, pra só voltar
Quando teu último pincel for tão grande
Que uma vida inteira será seu pintar.


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