sábado, 26 de março de 2016

Carícia de pirilampos

Um toque de leve. Dois toques de leve. Luz! 
A mão passeia devagar. Divaga junto ao devaneio
O toque, o cheiro, ninguém fala
E a boca calada permanece
A cabeça inclinada à observar
E os olhos é que dizem tudo
Às nossas mãos
E as mãos aos pulsos, e os pulsos
Aos cotovelos
Luz! E os olhos no ombro, 
a boca prevalece quieta
Os braços se afastam, e um toque tímido
Da ponta dos dedos
Nas costas da mão
Começa tudo outra vez.
Palma na palma, dedos nos dedos
Aperto. Soltura.
Um braço percorre outro 
Dois braços caminham em dois braços
Entrelaçam-se.
Vê-se o desenho das veias.
Os dedos roçam de leve
Prosseguem braços ao pescoço
passando pelo ombro,
chegando a cabeça.
Rosto nas mãos, carinho nas bochechas
Sorriso. Respiro. Luz!
A cabeça se reclina, 
as mãos voltam de onde vieram.
E se vão.
E as palmas estendidas esperam mais uma vez
Mais um encontro da ponta dos dedos
Um toque de leve. Dois toques de leve. Luz!

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