Quer saber d’uma coisa
Sá? Hoje eu poderia realmente escrever sobre como é bom poder ser um copo
cheio, ser inteiro, ser repleto de si, e poder assim ter a chance de se unir a
alguém que nos faça transbordar. Poderia escrever sobre sentimentos partilhados
que nos compõem e nos constroem. Poderia até dar mil voltas na ideia concreta
de agir, na escolha do tipo de decisão que se leva adiante, na parceria e no
companheirismo que objetivamos e que julgamos ser do caráter que queremos. Mas
se quer saber Sá, o que me inspira de verdade é esse aprendizado constante de
que nossa evolução não é uma linha reta. Nossa evolução é uma teia. Mudamos em
grau e nível a cada novo ponto de descoberta de nós mesmos no outro, e se há
algo que queira saber Sá, hoje eu me vi em você e você se viu em mim. Pois
fique sabendo Sá, que o maior dos motivos que me levam a crer na certeza de que
podemos ser bem preenchidos não é uma coincidência do tempo, de um momento em
que nos pareça que estamos perto de estar onde queremos estar. Até porque,
estar é um verbo tão passível de mudança. O mesmo “estamos” de hoje não é
válido para amanhã. Mas sabe Sá, daquilo que somos essencialmente, que é de
onde podemos nos reconhecer, eu sinto e sei que não caminho só jamais, porque é
na sutileza de um encontro nosso que eu consigo buscar em mim a paz que tenho e
que você me prova que realmente tenho. Descobrimos que já sabemos andar, mas é em união que nos damos conta de quais são os passos.
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