quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Quando me apontaram "A doente"

Um paciente quer saber quanto tempo deve esperar pra marcar o próximo encontro com alguém. O tempo mais “ideal” pra que as impressões do último momento fossem embora ou ficassem guardadas em algum lugar da memória suficientemente fundo, de uma profundidade que impedisse qualquer resquício da ideia de continuar a interação de onde haviam parado, pra que qualquer possível início não viesse à tona.
Início de quê mesmo?

O Ministério da Saúde adverte: é altamente perigoso ao sistema nervoso e ao músculo cardíaco impedir o fluxo natural das trocas entre pessoas.
Os sintomas? Repressão da vontade de estar com alguém, anulação de si, desistência.
Em caso de sintomas, consulte a si mesmo.

 Formas de precaução: Evite evitar em excesso; não carregue o peso da culpa de não ter o mesmo interesse pelo outro; mantenha-se longe de exposição a papeis sociais que não são seus; tome duas doses diárias de auto reconhecimento (possíveis efeitos colaterais: sensação de descoberta de seus próprios sentimentos); jamais reflita traumas de experiências passadas sobre pessoas de contextos diferentes às essas; certifique-se de que não está reduzindo sua própria capacidade de sentir por outras pessoas bons sentimentos.

AVISO: qualquer sensação de segurança de si e de melhor administração de seus sentimentos, bem como o estabelecimento de critérios de seleção sobre aquilo que é aparentemente bem-vindo e aquilo que não é, são esperados.

Recomendações: Existem tratamentos mais específicos para o afastamento deliberado pelo paciente de quaisquer pessoas, inclusive das que são um bem ao mesmo. Os últimos estudos apontam que o paciente, ao manter essa distância entre si mesmo e os outros, tem uma percepção que lhe permite sentir segurança, autocontrole, e imunidade a envolvimentos mais intensos. A sensação de estar vulnerável às influências de humor provenientes de outras pessoas pode ser extremamente desesperadora ao paciente. Em casos mais extremos, já foram registrados depoimentos em que o paciente chegou a descrever a possibilidade de envolvimento com alguém como sendo algo que esse alguém esperava, já pré-supunha, e foram precisos meses de tratamento, até que o paciente compreendesse que as necessidades do outro se resumiam ao momento em que estiveram juntos e só. Em tais casos é recomendado que as outras pessoas deixem claro ao paciente, através da prática de uma técnica conhecida como “fala”, quais são suas intenções. Um fenômeno muito recorrente é a ideia de que o avanço e/ou investimento de tempo em qualquer relação vá acabar tornando-a um contrato social não desejado. Existem algumas medidas que podem ser aplicadas nesses casos, como ingerir doses de leveza e tranqüilidade. O uso sincero de expressões como “Relaxa aí meu bem”, ou “Menos querido, menos” já foi constatado como método de eficiência no tratamento.


ATENÇÃO: nos estágios finais da recuperação do paciente, quando esse já apresenta menos stress, mais calma, e um domínio maior da capacidade de aproveitar bons momentos com mais simplicidade, atentar para o uso da camisinha.  

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