segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Nunca vou te aprender

Não deixaria de dizer o quanto gosto da cor dos seus lábios, e do cheiro do seu cabelo caindo no meu rosto quando vem dizer bom dia. Se não fosse o mundo inteiro contra mim, levaria seu café requentado todos os dias, esperaria sua cerimônia pra despertar enquanto mais uma canção frustada tentaria surgir, pra me fazer dizer coisas que nunca disse a ninguém, e depois, quando sua xícara já estivesse vazia, ficaria parada te observando, vendo você brincar de desenhar minha silhueta no ar. Eu iria amar ficar vendo passarinhos em suas costas, enquanto você me contaria como foi sua primeira ida a uma cachoeira. 
Eu gostaria de poder aprender mais sobre sua inquietude disfarçada, mas o universo inteiro conspira contra mim. E enquanto o mundo for mundo, você vai ser sempre um enigma. Eu preciso que a Terra acabe pra te ter aqui comigo. Posso ser tão egoísta assim, a ponto de querer que o mundo inteiro se resuma à você e eu? Perdoa essa vontade insana, que de hoje não passará. Te aprenderia sem te prender, mas não vou te aprender nunca.



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