Me desperta grande alegria apreciar as coisas nativas da minha terra. Mamãe sempre diz que quando criança, eu era apaixonada pelas terras férteis, pelos lagos da redondeza, e pelas matas. Papai dizia que eu passava horas vendo-o trabalhar na nossa fazenda. Ele era agricultor.
Eu cresci entre o som do canto das andorinhas e o coaxar dos sapos. Não havia nada que eu gostasse mais do que preservar minha rotina, que para mim era muito valiosa: logo pela manhã, ia estudar; almoçava sempre às 12:00hs, nem um minuto a mais nem a menos; ía passear em meio a natureza; passava tempo com papai. Já de tardezinha saía com mamãe para comercializar as frutas de nosso pomar.
Os anos passavam, e eu me apaixonava pela vida. Me apaixonava pelo amor de minha família. Mas quando assumi idade para esposar, papai ofereceu dote ao Sr. Chico Pereira.
Depois de esposada tudo mudou. Fui morar em São Paulo, terra cheia dessas coisas tecnológicas. As paisagens eram outras. Mas com o tempo me adaptei. Dentro de cinco anos, com a saudade da fazenda, e de minha terra, recebi a carta informando a morte de papai. Dali, com 4 meses, mamãe adoeceu. Queria ajudá-la mas não podia.
As coisas que sentia falta foram sempre desenhadas. Eu não tinha fotografias de minha infância, mas minha memória não me falhava. E quando soube da morte de meu pai, e da doença de minha mãe, assim como desenhava o céu azul, as andorinhas, e as árvores ao redor da casa, pintei um quadro de mamãe, de quando colhia frutas no pomar, e carregava na mão uma cesta com abacaxis, mamões, bananas e laranjas. Era como eu queria vê-la, se pudesse. E por minha paixão a tudo que o meu Brasil pode me oferecer enquanto criança, chamei a imagem de mamãe de "Tropical".

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